segunda-feira, 3 de agosto de 2015

André Cypriano: Exposição Rocks of Imagination
























Convite / Galeria Paralelo (clique na imagem para ampliar)

segunda-feira, 22 de junho de 2015

Weegee: The Village

Weegee (1899-1968) nasceu com o nome Usher Fellig, na Ucrânia, e emigrou para os Estados Unidos em 1910 (mais tarde anglicizado para Arthur Fellig). "Weegee, que recebeu esse apelido graças ao seu faro extraordinário para achar uma boa matéria (Weegee em inglês designa o tabuleiro Ouija usado em sessões espíritas), conseguia ser o primeiro fotógrafo na cena do crime porque em 1938 se tornou o primeiro cidadão autorizado a usar um rádio de ondas curtas para monitorar as transmissões da polícia. Weegee publicou em 1945 seu primeiro livro, Naked City, e um ano depois seu segundo livro, Weegee’s People. Começou a produzir fotografias distorcidas que apareceram em seu terceiro livro, Naked Hollywood (1953). Sua autobiografia, Weegee by Weegee, foi publicada em 1961." (Tudo sobre Fotografia, Sextante, 2012). 
O livro The Village, publicado em 1989, contém o layout (seleção e sequência das fotos sem legendas) e o texto de introdução que Weegee deixou pronto antes de morrer. Para ele, o projeto é a lembrança de um lugar em processo de desaparecimento, quando observa, a respeito da Universidade de Nova York. Na época, prédios históricos foram demolidos para a construção de novos centros educacionais. 
Sua narrativa não deixa dúvidas de que o fotógrafo sente-se integrado e participante do roteiro que está apresentando — sua própria história. Se, por um lado, suas fotografias proporcionam conhecimento sobre a vida cultural no Greenwich Village, o bairro mais badalado de Nova York nas décadas de 1940 e 1950, por outro, seu texto revela um descontraído e doce Weegee.


Eu amo Greenwich Village (...). As pessoas migram para o Village porque é um bairro diferente ou para encontrar sua alma gêmea (...). Freud é o autor preferido. Village está repleto de pessoas criativas: escritores, estudantes de arte, músicos e dançarinos à espera da descoberta de seus talentos. No entanto, se você der de cara com um sujeito que sabe compor uma música, viaja de avião, usa cavanhaque, gravata borboleta e fuma cachimbo… ele não é nenhum gênio. A vida noturna é abundante em Village. A Broadway agora é chamada de "Cinderela" porque tudo acaba à meia-noite. O melhor horário para conhecer a boemia é a partir das dez horas da noite, quando começa a esquentar (fique longe do lugar aos sábados, quando atrai turistas e curiosos). Sheridan Square é um bom lugar para começar. Atravessando a praça, o Riviera é o local mais amigável da cidade. Beba um copo de cerveja pelo preço de 15 centavos no Bar Louis, é refrescante e o exercício lhe fará bem. Mas não fique por muito tempo em um só lugar. Caminhe pela MacDougal e pare para ler os anúncios no quadro de aviso do Gaslight Coffee House, você não vai querer misturar café e cerveja. Em seguida, vá até o Bar San Remo para ver o que está acontecendo. Se ainda estiver sozinho, há algo errado com você. Mas não desista e nunca perca a esperança, a última parada é no Lenny, West 10th Street. Tenha muito cuidado com as garotas do Bronx e Brooklyn, elas estão sempre à procura de alguém (um John) para pagar um jantar com vinho e depois levá-las para casa de taxi. Tem festa no Village pelo menos uma vez por semana, normalmente acontece num loft, todos sentados no chão, com olheiras profundas sob os olhos, enquanto alguém toca o bongô (...). As garotas do Village parecem ser de outro planeta, como se pudessem atravessar paredes e uma capacidade inesgotável de beber cerveja. Domingo é um grande dia no Village. Washington Square Park reúne pessoas de todas as idades. Os jovens levam banjos e gaitas e cantam canções folk. E então chega à noite, o parque fica quase deserto, exceto por alguns casais aqui e ali. Na segunda-feira, eles voltam à rotina, cansados… olhando pela janela… olhando… procurando.
Fotos: © Weegee (Portrait of Maurice, Prince of Bohemia holding The Villager newspaper, San Remo Bar, Greenwich Village, Nova York, 1954) / (Woman, seen from behind, wearing a dress with an exposed back, seated at a table smoking a cigarette) / (Man with one raised arm, the other arm holding a cigarrette, and woman, holding a bottle, they are wearing costumes, almost naked and perhaps dancing, at a ball at the Astor) / (Man biting the hair of a woman, perhaps while dancing, as a coustumed crowd looks on, at a party in Greenwich Village) / ( Weegee, The Village. Editor Robert Drapkin, copyright © Wilma Wilcox, Da Capo Press, 1989) / ( Reproduções ICP - International Center of Photography)

quarta-feira, 17 de junho de 2015

Gregory Heisler: o retrato de Luis Sarría


Gregory Heisler ganhou prêmios importantes, como o Prêmio Alfred Eisenstaedt e Leica Medal of Excellence, e é conhecido por seus retratos e ensaios publicados nas revistas Life, Esquire, Geo, The New York Magazine, entre outras. Atuou no campo da publicidade para clientes como American Express, Benson & Hedges, Dewar's, Merrill Lynch, Nike e Zocor.
O seu livro Gregory Heisler: 50 Portraits: Stories and Techniques from a Photographer's Photographer, apresenta uma coleção de retratos de atores, atletas, líderes políticos e outras personalidades que fotografou em quatro décadas de profissão. O livro traz ainda histórias sobre as imagens, descrevendo em detalhes a complexidade de cada momento e as técnicas que usou — ele desmistifica a arte do retrato. O hábito da leitura e a coleção de livros de fotografia constituem um dos interesses de sua vida. E, por isso mesmo o livro de Heisler é uma referência importante para uma nova geração também ansiosa por livros de fotografia e muita informação.
O retrato de Luis Sarría (1911-1991) integra a série de fotos encomendas por Cathy Mather, editora de fotografia da revista Sports Illustrated, para acompanhar um artigo de Gary Smith, um perfil dos sete profissionais próximos de Muhammad Ali no auge de sua carreira. Sarría nasceu em Cumanayagua, Cuba. Trabalhou como engraxate e nos campos de tabaco. Aos treze anos tornou-se boxeador. Sarría era um bom pugilista, mas o boxe não pagava sequer suas refeições. Em 1943, era o melhor preparador físico de Cuba. Quando Fidel aboliu a prática do esporte, após a revolução em 1959, ele então decide que era a hora de deixar a ilha. Amigo de Angelo Dundee, surgiu a oportunidade de trabalho na famosa 5th Street Gym, em Miami. Lá conheceu Muhammad Ali, que contratou-o para fazer parte de sua equipe como massagista. Sarría aprendeu algumas palavras em inglês. Eles se comunicavam através de sinais.
No dia agendado para a sessão de fotos, Heisler e sua assistente, Monica, foram informados pela esposa de Sarría de que ele não estava se sentindo bem, e envergonhado por sua aparência. Sarría havia contraído uma infecção e seu lábio estava terrivelmente inchado. 
Como artista e indivíduo criativo, cada projeto desencadeia de antemão uma série de perguntas: equipamento, iluminação, enquadramento, e assim por diante. No entanto, ali era preciso ajustar-se às exigências e às tomadas de decisão. Para o fotógrafo, retratos derivam justamente daí — da negociação silenciosa. Sarría concorda em se mostrar na varanda da sua casa. Esconde-se fingindo não se esconder. Num gesto instintivo, leva as mãos ao rosto — aquelas mãos incríveis.
Há vários tipos de retratos. Alguns destacam um momento perspicaz; outros capturam um gesto revelador. Alguns são apenas intrigantes mapas do rosto, enquanto outros parecem alcançar debaixo da superfície. O modelo não quer enfrentar a realidade, para o fotógrafo, é tudo que existe, diz.
Heisler é um orador requisitado por diversas instituições de museus e de ensino. Ele construiu uma obra que não se baseia apenas em suas experiências individuais, ela abrange também todo o aprendizado nas suas relações com outros profissionais.



A primeira vez que vi a fotografia de Gregory Heisler de Luis Sarría, tratava-se de uma campanha publicitária da Kodak para fotógrafos profissionais, lançada em 1989, e reproduzida no livro Designs for Corporate Image (V + K Publishing, 1994). 
Em Quando a fotografia é genial (Gustavo Gili, 2014), a professora de História e Cultura da Fotografia Val Williams destaca que, uma boa fotografia é mais do que a soma daquilo que trazemos para ela. Ela depende da capacidade do fotógrafo de compor o quadro e utilizar o equipamento mais adequado para cada tipo de fotografia. Seu sucesso também tem a ver com o ângulo de visão, a interação com o assunto e a intenção. Uma fotografia é bem-sucedida, acima de tudo, quando nos lembramos dela.
Foto / Cortesia de © Gregory Heisler (Luis Sarría, Miami, Flórida, 1988. Todos os direitos reservados ao fotógrafo. Gregory Heisler: 50 Portraits: Stories and Techniques from a Photographer's Photographer, com prefácio do ex-prefeito de Nova York Michael R. Bloomberg, Amphoto Books, 2013. Link Gregory Heisler) / (Biografia de Luis Sarría por Enrique Encinosa em The Cyber Boxing Zone)

quarta-feira, 10 de junho de 2015

s / título


Stefani Kong Uhler atuou na área de still de cinema. Durante o final da década de 1970 e início da década de 1980, fotografou nos sets de Apocalypse Now (Francis Ford Coppola), The Missouri Breaks (Arthur Penn 1922-2010) e Love and Money (James Toback), e fazem parte do acervo da agência Sigma/ Corbis. Em 1979, fez uma série de retratos do cantor, compositor e escritor canadense Leonard Norman Cohen. 
Uhler trabalhou para produzir esta foto que tem sido divulgada como o autorretrato de Mary Ellen Mark (1940-2015).
Foto: © Stefani Kong Uhler (a fotógrafa Mary Ellen Mark e o ator Marlon Brando no set de Apocalypse Now, Pagsanjan, Filipinas, 1976)

quarta-feira, 27 de maio de 2015

Mary Ellen Mark (1940-2015)


Desde o início de sua carreira em 1962, a documentarista norte-americana Mary Ellen Mark concebeu suas reportagens sem criar estereótipos sociais, mas também fez fotos que poderiam ser vistas como um forte comentário social. Em geral a fotografia que se via era produzida sob encomenda, para editorial ou publicidade. Em 1983, a pedido da revista Life, ela foi a Seattle fotografar crianças que haviam fugido de casa. Adolescentes com histórias individuais a serem contadas de perto. Lá conheceu uma menina de 13 anos apelidada de Tiny, e o início de uma longa saga ao longo de muitos anos. Em 2015, Mark e seu marido, Martin Bell, estavam em campanha (Kickstarter) para arrecadar fundos para um filme sobre Tiny, agora uma jovem senhora com dez filhos. O trabalho de Mark sempre esteve voltado para os mais desfavorecidos, e conquistou elogios internacionais com fotos de prostitutas na cidade de Mumbai, os pobres de Calcutá sob os cuidados de Madre Teresa e os artistas circenses na Índia. Para cada projeto, os doentes mentais de um hospital no Estado de Oregon, a família Damm, casal que vivia num carro com seus filhos em Los Angeles, ou nos sets de filmagem de Alice’s Restaurant, Satyricon, Apocalypse Now e One Flew Over the Cukoo’s Nest, Mark estava apenas tentando produzir fotografias poderosas e verdadeiras.
Mary Ellen Mark recebeu inúmeros prêmios, incluindo o Prêmio Cornell Capa do International Center of Photograpphy em 2001.
Foto: © Mary Ellen Mark (Casal no bar, Nova York ,1977. Fotografia incluída no projeto American Odyssey)

sexta-feira, 2 de janeiro de 2015

Saul Leiter


Saul Leiter (1923-2013) nasceu em Pittsburgh e estudou teologia em Cleveland. Aos 23 anos, ele abandonou a teologia para seguir carreira como pintor em Nova York. A chegada de Leiter a Nova York provocou mudanças imediatas em seu trabalho, ele logo tomou conhecimento do movimento expressionista abstrato  visitando exposições de Mark Rothko (1903-1970), com quem fez amizade. No final dos anos 40 começou a fotografar por influência do artista plástico e fotógrafo Richard Pousette-Dart (1916-1992). Outras influências, como a obra de Henri Cartier-Bresson (1908-2004), o pioneiro na fotografia de rua, inspiraram o jovem Leiter a dedicar-se profissionalmente à fotografia, mas raramente representam trabalhos fotográficos. Leiter colocou tudo no centro, ao contrário de Cartier-Bresson que equilibrava uma coisa à esquerda com uma coisa à direita. Suas melhores fotos em preto e branco foram produzidas quase sem nenhuma técnica composicional. Leiter desenvolveu uma grande admiração pelos mestres da fotografia na França, mencionando Nègre, Nadar, Atget e Julia Margaret Cameron. Sua lista de fotógrafos notáveis inclui também os trabalhos de Jacob Riis, Lewis Hine e Irving Penn. Leiter dedicou igual atenção tanto à pintura, escultura e desenho, quanto à fotografia. Seu conhecimento em arte aliava-se a uma intensa curiosidade sobre os livros da extraordinária biblioteca de seu pai, um rabino com a firme convicção que fotografia era praticada por "vagabundos". "Minha família ficou muito triste por eu ter me tornado um fotógrafo  disse Leiter em uma entrevista de 2009 —, profundamente triste." No início da década de 1950, ele mostrou seu portfólio a Edward Steichen (1879-1973), o então diretor do departamento de fotografia do Museum of Modern Art de Nova York, e cinco fotos em preto e branco de Leiter foram incluídas na exposição coletiva intitulada Always the Young Strangers (Sempre os Jovens Estranhos), em 1953. O fotojornalista W. Eugene Smith (1918-1978) o apresentou a Alexey Brodovitch (1898-1971), o lendário diretor de arte da Harper's Bazaar, iniciando assim sua carreira como fotógrafo de moda, e colaborou para diversas revistas, como a Vogue e Esquire. A partir dos anos 60 dedicou-se à fotografia publicitária e aos projetos pessoais. 


Saul Leiter marcou um novo tipo de fotografia de rua, principalmente sua obra produzida em East Village em Manhattan. "Ele aplicou uma mentalidade pictórica que o mundo da fotografia não tinha visto", disse a assistente do fotógrafo e diretora da Fundação Saul Leiter, Margit Erb (New York Times, 27 de novembro de 2013). 
Leiter e Diane Arbus (1923-1971) moravam na mesma rua (10th Street, East Village), e com frequência a ajudava com suas tarefas como levar a roupa para lavar quando Arbus teve hepatite. Quando ele perguntou a Arbus se poderia fotografá-la, ela lhe respondeu: "Não teria medo de ser fotografada por você." Mais tarde, Arbus comentou com Leiter que gostaria de ver o mundo como ele realmente é e Leiter retrucou que não seria muito bom para seu trabalho já que possuía uma visão própria e especial.
Em 1948, Leiter trocou os filmes em preto e branco pelos coloridos. Ele obtinha cores suaves de filmes vencidos, ou usava filmes mais baratos e imprevisíveis de empresas desconhecidas para criar sua própria paleta de cores. 
Fotos: © Saul Leiter Estate, Cortesia Howard Greenberg Gallery (Rain, Nova York, c. 1940 / Diane Arbus em seu apartamento, 2 de novembro de 1970) / (Early Black and White, introdução por Martin Harrison, Steidl / Howard Greenberg Library, 2014 / Steve Crist, Contact Sheet, AMMO Books, 2012)
Link Howard Greenberg Gallery

sábado, 27 de dezembro de 2014

José Medeiros: Olho da rua

"No sertão do Nordeste brotam fábulas. Uma das melhores germinou na fertilíssima lavra do piauiense José Medeiros, que foi capaz de contá-la como um cantador, porém sem viola - e também sem a xilogravura e as palavras dos folhetos de cordel. Ele saiu com sua "máquina de ver" a tiracolo e se embrenhou por este Brasil adentro para extrair riquezas de se admirar pelo mundo afora." Leonel Kaz

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José Medeiros (1921-1990) nasceu em Teresina, Piauí. Aos 12 anos, havia aprendido a técnica de revelação com seu pai, um fotógrafo amador, e desde então não parou mais de fotografar.
Fotos: © José Medeiros (índio Caiapó, 1957 e índio Xavante, 1949, acervo Instituto Moreira Salles - IMS / Olho da Rua: O Brasil nas fotos de José Medeiros. Texto Leonel Kaz. Apresentação Arnaldo Jabor. Rio de Janeiro, Aprazível Edições, 2005/2006) / (Ella Fitzgerald e Joe Pass. Nature Boy, compositor Eden Ahbez (1908-1995) / Álbum Fitzgerald & Pass Again, Original Jazz Classics, 1976)
Um postal para o amigo Milton Ostetto.

terça-feira, 23 de dezembro de 2014

Repórteres sem Fronteiras: campanha 2014


Em todo o mundo, 178 jornalistas estão presos. Repórteres são os principais alvos por aqueles que querem encobrir seus crimes. 
Reporters Without Borders
Link / Vídeo: 100° F at night and + 120° F during the day

sexta-feira, 12 de dezembro de 2014

Ernesto Bazan: Isla


Nascido em Palermo em 1959, Ernesto Bazan mudou-se para Nova York em 1979 para estudar fotografia na School of Visual Arts e em 1982 ganhou o prêmio Rencontres d'Arles International Photography, na categoria Jovens Fotógrafos. Em seu primeiro livro, Il Passato Perpetuo, publicado em 1982, uma série de fotografias sobre a comunidade ítalo-americana em Nova York, produzidas ao longo de quatro anos. Em 1983, viaja para a Ásia com bolsa de estudos concedida pela Paris Match. Bazan torna-se membro da agência Contrasto em 1992, e inicia o projeto sobre Cuba, recebendo o prêmio World Press Photo (1996), na categoria Vida Cotidiana, o prêmio Mother Jones, e em 1998, o prestigiado prêmio W. Eugene Smith. Bazan se mudou para Cuba em 1992, onde pôde desenvolver seu trabalho e onde encontrou a sua vocação de professor. Durante o período mais difícil da ilha, chamado de "período especial", as fotografias de Bazan concentram-se em seus habitantes e em sua luta desesperada para sobreviver. "No entanto, eles nunca perderam a capacidade de sorrir. Tentei captar a sua dignidade, sua paixão pela música e dança, seu fervor religioso", diz Bazan. Impedido pelas autoridades cubanas de viajar para participar de seus workshops de fotografia, em 2006 Bazan foi morar com sua família em Veracruz, no México. Seis anos depois, ele encontra suas fotografias panorâmicas em preto e branco, guardadas e esquecidas numa caixa velha. Bazan usou uma câmera panorâmica cerca de 11 anos atrás, comprada de um amigo que fazia pouco uso dela: "Para trabalhar com a panorâmica você tem que esquecer o 35 mm e aprender como compor a foto, que é duas vezes maior. Foi um processo intuitivo. Posso dizer isso agora, mas na época eu não sabia". 
Depois de 14 anos vivendo em Cuba, Bazan publica Isla (2014). Fecha com este livro de fotos panorâmicas a trilogia iniciada com Bazan Cuba (2008), prêmio de Melhor Livro do Ano no Festival de Fotografia de Nova York, e Al Campo (2011), coletânea de fotos sobre a vida agrícola e rural, seu primeiro livro com fotos em cores. Inspirou-o, sobretudo, o grau de identidade dessa relação com os amigos agricultores, gente humilde e sábia, compartilhando refeições, fumando charutos, conversando sobre plantio e colheita, família e existência.
Com o livro Isla, Bazan diz adeus a Cuba. Não é difícil compreender por que publicá-lo custou tanto ao fotógrafo, oito anos pelo menos. É o livro em que Bazan descobre, e narra, o amor verdadeiro pelo povo cubano - para sempre.
Foto: © Ernesto Bazan (Pai e filho, Havana, Cuba, 2002 / Isla, Bazan Photos Publishing, 2014 / Kickstarter. Reprodução cortesia do fotógrafo. Todos os direitos reservados).
Link Bazan Photos Workshops

sábado, 6 de dezembro de 2014

Graham Smith


Graham Smith (1947) usou uma câmera de grande formato quando começou a fotografar familiares, amigos, paisagens e comunidades operárias e indústrias pesadas em torno de sua cidade natal, Middlesbrough, na costa nordeste da Inglaterra. Motivado por uma profunda convicção pessoal e política, Smith produziu fotos como Thirty eight bastard years on the furnace front. Mess room for number 4 and number 5 furnaces (Trinta e oito anos desgraçados na frente da fornalha número 4 e número 5), retrata um homem - fatigado sem saber onde foram parar os anos - no refeitório de uma fundição de aço. Muitas vezes as fotografias de Smith eram uma resposta íntima a pubs específicos que ele frequentou por muitos anos, os quais, para alguns, funcionavam como centros comunitários ou locais de refúgio de situações desesperadoras. Nos anos 80, Margaret Thatcher (primeira-ministra britânica de 1979 a 1990), recorre a políticas ditas neoliberais: a intervenção do Estado na vida econômica é limitada para deixar espaço à livre concorrência. Essas políticas provocam grandes mudanças e movimentos de greve, especialmente na Grã-Bretanha. Membro de uma família com quatro gerações de trabalhadores na metalurgia e siderurgia, as demissões em massa e o declínio das atividades industriais tiveram nítidos efeitos sobre a sua produção fotográfica.
Graham Smith e Christopher Killip exibiram suas fotografias na exposição conjunta "Another Country" na Serpentine Gallery, em Londres, em 1985. Incomodado com as críticas da imprensa às suas fotos, Smith deixou de fotografar em 1990 e desde então raramente exibiu ou publicou seus trabalhos.
Suas fotografias encontram-se representadas nas coleções permanentes do Museum of Modern Art, Victoria and Albert Museum, Rose Gallery e Eric Franck Fine Art.
Foto: © Graham Smith (Thirty eight bastard years on the furnace front. Mess room for number 4 and number 5 furnaces. Clay Lane, South Bank, Middlesbrough, 1983 / Tudo sobre Fotografia, editor geral Julliet Hacking. Tradução Fabiano Morais, Fernanda Abreu e Ivo Korytowski, Sextante, 2012)


Foto original (reprodução em baixa resolução), sem corte na lateral à direita, link Eric Franck Fine Art.