terça-feira, 7 de outubro de 2014

Josef Koudelka: Black Triangle



Black Triangle, livro de fotografias panorâmicas de Josef Koudelka, produzidas entre 1991 e 1993, no sul da Saxônia, Alemanha, Baixa Silésia, Polônia e Boêmia do Norte, República Checa, região de mineração de carvão a céu aberto, cujos efeitos óticos são devidos à extrema densidade da poluição tóxica da atmosfera e de exploração florestal, mais de 50 por cento das florestas de coníferas foram destruídas entre 1972 e 1989. 
Koudelka fez suas primeiras fotografias panorâmicas em 1958. Mais tarde na década de 1980, aceitou participar do projeto DATAR, uma organização do governo francês, quando soube que eles tinham uma câmera panorâmica. Viajou para a Bretanha e Normandia, fez fotos em Paris, mas foi somente em Lorena, onde a reestruturação da indústria siderúrgica estava trazendo grandes mudanças para a região, Koudelka percebeu que era essa precisamente a paisagem que mais lhe interessava, observando o impacto da intervenção do homem no meio ambiente. Black Triangle, é claro, tem características que o separam de uma narrativa sobre questões ambientais. A maioria das pessoas considera esta paisagem devastada terrível. Mas, para mim, não é a paisagem que é terrível, o que é espantoso é a destruição. A destruição que fez com que a magnífica paisagem da Boêmia, formada ao longo de séculos, agora não existe mais: Acho que é trágico, mas belo. Horrivelmente belo, diz ele.
Koudelka realmente apaixonou-se pela paisagem, ou seja, que ele não teria fotografado, e ele não teria voltado várias e várias vezes para a mesma região: "Após a sua destruição, a terra lentamente renova o seu ciclo e a vida recomeça. A natureza encontra um novo equilíbrio, cria uma nova paisagem. Diferente da anterior, que agora está irremediavelmente destruída, mas em alguns casos muito interessantes. Nesse cenário, você pode ver o quão forte é a natureza. Que é mais forte que o homem." 
Koudelka fotografou ciganos na Eslováquia e na Romênia. Em 1968, documentou a ocupação soviética de Praga. Incapaz de trabalhar com liberdade na Tchecoslováquia, o fotógrafo buscou asilo político na Grã-Bretanha em 1970. "Eu sei quem eu sou. Eu não faço o que faço para alguém gostar de mim, ou para provar algo para alguém, ou para ser o melhor. Eu faço isso por mim, para minha própria satisfação. Eu quero encontrar os meus limites, para ver até onde posso ir. O máximo, que é o que sempre me interessou - o máximo de mim e o máximo dos outros."


video

Fotos: © Josef Koudelka / Magnum Photos ( Black Triangle, Vesmir, Praga, 1994 / Magnum Stories, Phaidon, 2004) 
Um postal para o amigo Nuno Sousa.

segunda-feira, 16 de setembro de 2013

2 minutos pela Síria - Sarah Moon



Béatrice Soulé e Sarah Moon: "O que podem as palavras contra esta barbárie? Pouco. Muito pouco. Mas acreditamos que pouco é melhor do que o silêncio." Assim, nasceu a ideia de realizar vinte curtas-metragens pela paz na Síria, produzidos sob os auspícios da FIDH (Federação Internacional de Direitos Humanos), em colaboração com Shaam News Network. 
As imagens foram feitas por cidadãos sírios, muitas vezes, arriscando suas vidas.



2' pour la Syrie - Sarah Moon por vagueblanchepourlasyrie

sexta-feira, 13 de setembro de 2013

Januário Garcia



Fotografias: © Januário Garcia (música: Ana Terra, composição Yamandu Costa, violino Nicolas Krassik e baixo acústico Guto Wirtti, álbum Lida, 2007).
Em breve, será publicada uma entrevista com Januário Garcia (dono do sorriso mais cativante da fotografia brasileira).
(Fotos gentilmente cedidas. Todos os direitos reservados).

terça-feira, 3 de setembro de 2013

Alt-J: Taro

 

Videoclipe da banda inglesa Alt-J, dirigido por Melissa Murray e produzido pela Ghetto Film School, uma organização sem fins lucrativos.

quarta-feira, 21 de novembro de 2012

Fred Jordão: Sertão Verde



Fred Jordão Imagens e Pró 4 convidam para o lançamento do livro Sertão Verde / Paisagens, com 150 fotografias de Fred Jordão, no dia 28 de novembro de 2012, às 19:00 h, na Livraria Cultura, Recife - PE.
http://www.facebook.com/sertaoverdepaisagens 




quinta-feira, 15 de novembro de 2012

Dez minutos com William Klein

A foto de uma criança apontando uma arma para o fotógrafo, feita na rua, em 1955, tornou-se referência. Mas William Klein, se rebelando contra qualquer ideia de fazer arte consagrada, disse: "Eu não aguento mais a imagem daquele garoto com a arma. É como uma música hit de verão que não suportamos mais ouvir". Fotógrafo, pintor, designer gráfico, diretor de cinema e escritor, Klein impôs um novo estilo, mesclando crítica social, sátira e muita poesia.
(Photo Box, Bringing the great photographers into focus, Robert Koch, Thames & Hudson, 2009)




domingo, 21 de outubro de 2012

Ary Vasconcelos: samba


"Se há uma história que nunca poderá ser escrita, isto é, com todos os seus pontos obscuros perfeitamente iluminados - é a do samba", diz o jornalista, crítico, historiador e musicólogo Ary Vasconcelos (1926-2003), há quase quarenta anos pesquisando sobre o tema, em uma reportagem publicada na extinta revista Piracema, editada por Ivan Junqueira. Em 1967, dois nomes intimamente ligados à história do samba, Pixinguinha e João da Baiana, figuras assíduas no Bar Gouveia, situado na Travessa do Ouvidor, no Rio de Janeiro, forneceram a Vasconcelos toda a geografia do gênero. Cinco eram os principais redutos do samba na segunda década do século, a casa de Tia Ciata, o morro de Santo Antônio, o morro da favela, o morro de São Carlos e o morro do Castelo.
Tia Ciata (Hilária Batista de Almeida, 1854-1924), era uma baiana muito festeira, dizia-se dela que gostava tanto de folguedos que inventava até aniversário para dar festa. Ary Vasconcelos foi uma das poucas pessoas que viu o rosto de Tia Ciata, através de uma fotografia bem nítida em que ela ostentava uma baiana listrada. Ele tentou, de muitas maneiras, obter a foto que estava em poder da sobrinha, a Tia Carmem do Xibuca. Um dia, Vasconcelos soube que essa fotografia fora queimada em um ritual de candomblé, pois Tia Carmem pertencia a uma seita islâmica que não permitia a divulgação de imagens.
Fotos: © Alberto Jacob / Agência JB (A partir da esquerda, Pixinguinha, João da Baiana e Donga) / ( Piracema # 1, Instituto Brasileiro de Arte e Cultura, Funarte / IBAC, 1993)
Um postal para o amigo Giuliano Quase.

segunda-feira, 17 de setembro de 2012

André Cypriano - Duas décadas












Uma exposição muito especial, uma retrospectiva de 20 anos de trabalho de André Cypriano - Duas décadas. 
Desde o instante em que começou a fotografar, seus trabalhos são complexos depoimentos sobre variados grupos culturais, juntamente com a paixão e o respeito pela representação fotográfica. Parabéns, Cypriano. 
Convite / Duas décadas - Frederico Sève Gallery (37 West 57 Street, Floor 4, New York, NY / 20 de Setembro – 24 de Novembro, 2012).

sexta-feira, 7 de setembro de 2012

Dorothea Lange e Robert Frank


Na década de 1930, a fotógrafa norte-americana Dorothea Lange (1895-1965) trabalhou para o projeto da Farm Security Administration (FSA), junto com os fotógrafos Walker Evans, Ben Shahn, Carl Mydans, entre outros, produzindo um comovente documentário social sobre as condições de vida dos trabalhadores nas áreas rurais dos Estados Unidos. 
"Dorothea Lange acreditava que saber de antemão o que se está procurando nos faz fotografar apenas as próprias concepções prévias, o que considerava muito limitador."
Incentivado por Walker Evans a candidatar-se a uma bolsa Guggenheim, o fotógrafo suíço Robert Frank apresentou o mesmo conceito de Lange, e seu livro The Americans foi completamente produzido sem um plano definido. 
Em 1965 Robert Frank visitou Dorothea Lange - no hospital onde ela estava morrendo de câncer. Quando estava indo embora, Frank percebeu sua amiga olhando para ele de uma maneira diferente. Eu apenas fotografei você, disse Lange, e acrescentou que não precisava de uma câmera. 
(Geoff Dyer, O Instante Contínuo, uma história da fotografia, tradução Donaldson M. Garschagen. - São Paulo: Companhia das Letras, 2008 / Peter Conrad, Modern times, modern places, Thames & Hudson, 1998). 
Foto: © Dorothea Lange / Farm Security Administration ("Toward Los Angeles", Califórnia, 1937 / reprodução Shorpy)

domingo, 2 de setembro de 2012

Romualdo García: Cantarranas, 34


Quando Romualdo García (1852-1930) abriu seu estúdio de fotografia em Guanajuato, México, em 1887, época de grandes avanços tecnológicos da fotografia, pessoas de todas as idades e níveis de renda acorreram ao estúdio, dispostas a ficar ali de pé ou sentadas durante horas, para adquirir o status e a eternidade que um retrato de alta qualidade fornecia, produzido a um custo relativamente baixo.
Em seu livro As Caras e as máscaras, Eduardo Galeano se propõe narrar a história das Américas, principalmente da América Latina, nos séculos 18 e 19, a partir dos mais variados textos em que descreve episódios e situações curiosas, incluindo o trabalho de García: "O artilheiro, encapuzado, se agacha e faz pontaria. A vítima, um elegante cavaleiro de Guanajuato, não sorri nem pestaneja nem respira. Não tem escapatória: às suas costas caiu o pano, frondosa paisagem de gesso pintado, e a escadaria de papelão conduz ao vazio. Cercado de flores de papel, rodeado de colunas e balaustradas de papel, o grave prócer apoia a mão no encosto de uma poltrona e com dignidade enfrenta a boca de canhão da câmera de fole. Guanajuato inteira se deixa fuzilar no estúdio da rua Cantarranas, 34. Romualdo García fotografa os senhores de muito pergaminho e suas mulheres e seus filhos, meninos que parecem anões afundados em grandes coletes com relógio de bolso e meninas austeras como avozinhas esmagadas por chapelões cheios de sedas e fitas. Fotografa os gordos frades e os militares de gala, os de primeira comunhão e os recém-casados; e também os pobres, que vem de longe e dão o que não têm, contanto que posem muito penteados, muito passados, exibindo as melhores prendas, diante da câmera do artista mexicano premiado em Paris." 
Em 1904 uma enchente atingiu Guanajuato e destruiu milhares de negativos sobre chapas de vidro de Romualdo. Seu acervo (datado de 1905-1914) é mantido pelo Museu Regional Alhóndiga de Granaditas em Guanajuato. 
Fotos: © Romualdo Garcia (Guanajuato, México, c.1905-1914 / Joaquím Mora, Guanajuato, México, c. 1910 / reprodução Le Journal de la Triennale) / (Eduardo Galeano, As Caras e as máscaras; tradução Eric Nepomuceno. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1985)