terça-feira, 28 de outubro de 2014

Edu Simões: La Quatrième Image


Convite / Foto: © Edu Simões (Menino com sucuri, Amazônia) 
Links: Edu Simões / La Quatrième Image

sexta-feira, 24 de outubro de 2014

René Burri (1933-2014)


Em um texto de 1957, o fotógrafo suíço René Burri descreveu seu encontro com Pablo Picasso (1981-1973). Como diz o fotógrafo Claudio Versiani "a história que conta uma fotografia". 
Em 1953, René Burri, um jovem estudante de arte em Zurique, estava em Milão, na Itália, quando foi ver uma exposição de Picasso. O painel Guernica (1937) estava em exposição no Palazzo Reale, antigo palácio real que fora bombardeado durante a Segunda Guerra Mundial, e apesar de terem refeito o telhado, nas paredes havia marcas da guerra. Burri sente grande admiração pela pessoa de Picasso, o homem por trás do artista:" Vi pessoas chorando. Foi emocionante. Picasso mudou a minha vida". Em Zurique, Burri mostra as fotografias da exposição a um de seus professores, o designer gráfico Alfred Willimann, que sugere o projeto de um pequeno livro. O passo seguinte foi a impressão de três exemplares, um livro para Willimann, um para Burri e o outro foi para o arquivo da escola. Dois anos mais tarde, Burri conhece Daniel-Henry Kahnweiler, colecionador e marchand que trabalhou com Matisse e Braque. Esse encontro casual ocorreu no café Select, em Zurique. O fotógrafo aproveita a sorte grande e pergunta, então, se Kahnweiler poderia mostrar seu livro a Picasso. Ele diz que sim. Quando já estava certo de que não iria obter resposta, recebeu uma carta: "Caro Sr. Burri, Pablo Picasso gostou muito do seu trabalho, mas gostaria que soubesse, ele perdeu o livro. Caso eu tenha alguma novidade, entrarei em contato. E não teve mais notícias." Burri se associou à Magnum em 1955, ano em que ficou vários dias à espreita para fotografar Picasso. No estúdio em Paris, seu secretário Jaime Sabartés lhe dizia simplesmente, deixe-me ver o que posso fazer para ajudá-lo. Em 1957, a revista Holliday o convida para fazer uma série de fotografias na Espanha. Hospedado em um hotel de luxo na praia em San Sebastián, Burri pega um jornal local e vê o seguinte artigo: Picasso vai para as touradas. Burri dirigi a noite toda, parando apenas para um café. Chega em Nimes na manhã seguinte: "Na arquibancada fiz um gesto com minha câmera para saber se Picasso consentia em ser fotografado, ele acenou com a cabeça para dizer que estava tudo certo. Eu mostrei as fotos para o meu melhor cliente, a revista Du. Eles estavam fazendo uma matéria sobre Picasso e tinha um outro fotógrafo fazendo as reproduções de sua obra, então me juntei a ele em uma visita à Villa La Californie, em Cannes. Eu ainda tinha que esperar, Sabartés poderia dizer: Bem, ele está ocupado. Quando finalmente ele me deixou entrar, vejo Picasso pegando um pedaço de papel e transformando-o em algo incrível, como um mágico. Fiz uma sessão de fotos com ele, Jaqueline e as crianças. Em determinado momento, eu disse a mim mesmo, René, seu pequeno livro deve estar em algum lugar nessa bagunça! Picasso nunca jogava nada fora. Enquanto olhava ao redor, me perguntando onde poderia estar escondido, Picasso olhou para mim e disse: Diga-me o que você estava pensando. Aquilo foi muito intenso, como se ele pudesse ler a minha mente, e eu me senti como uma criança apanhada com a mão na botija. Por um segundo, pensei em contar-lhe toda a história sobre o livreto, mas não o fiz."


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"Fotografei em Berlim, Chipre, Egito, Peru, Japão, Cuba. Fotografei a Guerra dos Seis Dias, em Israel, e os norte-americanos na Coréia. Fotografei personalidades, como Maria Callas, Le Corbusier e Che Guevara. Mas de certa maneira, meu encontro com Picasso foi um divisor de águas. Percebi que eu não sou um fanático por foto. Tomando-se a fotografia como uma forma de estabelecer-me na vida. Tive sorte e foi uma benção para mim. Mas há um outro nível de fotógrafo com sua propensão a supervalorizar o trabalho - a difícil competição para chamar a atenção do assunto; onde tirar fotos é como usar uma arma. Sem dúvida, um nível de profissionalismo que eu não desejo seguir."

Fotos: © René Burri / Magnum Photos (Guernica em exibição no Palazzo Reale, Milão, 1953 / Villa La Californie, Cannes, 1957 / Revista Du, agosto de 1958 / Magnum Stories, Phaidon, 2004)
Um postal para o amigo Claudio Versiani.

quarta-feira, 22 de outubro de 2014

José Bassit: Ceasa

Suas obras integram acervos de instituições como a Pinacoteca do Estado de São Paulo e o Museu de Arte de São Paulo. Fotojornalista desde 1985, José Bassit dedica-se com exclusividade aos projetos pessoais, empreendendo uma série de viagens por todo o país.

Você fez o ensaio fotográfico Ceasa (Centro de Abastecimento, a Companhia de Entrepostos e Armazéns Gerais de São Paulo). Como se dá a escolha de um determinado tema? 
Bassit: O ensaio do Ceasa surgiu de minhas andanças pelo Brasil. Uma das primeiras coisas que faço quando chego em alguma cidade, é visitar e também fotografar os mercados e feiras livres, Os mercados, além de uma riqueza visual muito grande, me mostram um pouco da cultura do lugar. A comida, os produtos vendidos, o artesanato e as pessoas que lá encontro mostram as características e peculiaridades da cidade e de seu povo. Estas visitas aos mercados e feiras, despertaram um olhar pelo Ceasa, que é o maior centro atacadista de alimentos do Brasil. A idéia do ensaio foi mostrar de onde vem a distribuição dos alimentos que abastecem a cidade de São Paulo. Depois de alguns dias fotografando, percebi que haviam produtores de todo país descarregando suas frutas, legumes e verduras, e se reabastecendo com outros produtos para levar a seu lugar de origem. Isto me mostrou a importância do Ceasa, como o maior centro de distribuição de alimentos do Brasil. 
Como é sua relação com as pessoas fotografadas? 
B: Quando há abertura , eu converso e levo fotos para eles depois.Tem casos que a interação muito estreita com o fotografado, pode atrapalhar tirando a concentração e o foco do objetivo. Mas este não foi o caso do Ceasa. Até fiz alguns amigos lá. 
O que lhe interessa em fotografia? E qual a importância da fotografia documental. 
B: Me interesso muito por trabalhos pessoais, autorais e documental. Acho bom quando você é que decide seu projeto, e não ter de agradar a ninguém, a não ser a você mesmo. No caso da fotografia documental, não existe tempo estipulado para você finalizar o trabalho, o que faz com que o fotógrafo se aprofunde no tema e obtenha um resultado mais amplo e completo do que esta fotografando. 
O seu trabalho sobre manifestações da fé, o que fica desta experiência? 
B: O trabalho "Imagens Fiéis" foi fotografado por 5 anos. Quando comecei, não sabia da grandeza da fé de nosso povo. Comecei em Juazeiro do Norte, a terra de Padre Cícero, em 1998, e me apaixonei de cara. Percebi que estava fazendo alguma coisa grande para mim e para minha fotografia, por isto foi o trabalho mais importante que fiz até agora. Ao longo dos anos, fiz 27 viagens a festas e manifestações religiosas pelo Brasil, num total de 7 estados. A convivência com as pessoas, fotografadas ou não, foi a melhor parte deste projeto, pois descobri um Brasil que eu desconhecia. Em 2003, o ensaio virou livro; "Imagens Fiéis", pela editora Cosac & Naify, o que me deu muita satisfação e alegria.

Coisas assim, como se fosse uma aventura única, a de ser fotógrafo.

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Fotos: © José Bassit (cortesia do fotógrafo. Todos os direitos reservados) 
Entrevista realizada em 2012.

terça-feira, 7 de outubro de 2014

Josef Koudelka: Black Triangle



Black Triangle, livro de fotografias panorâmicas de Josef Koudelka, produzidas entre 1991 e 1993, no sul da Saxônia, Alemanha, Baixa Silésia, Polônia e Boêmia do Norte, República Checa, região de mineração de carvão a céu aberto, cujos efeitos óticos são devidos à extrema densidade da poluição tóxica da atmosfera e de exploração florestal, mais de 50 por cento das florestas de coníferas foram destruídas entre 1972 e 1989. 
Koudelka fez suas primeiras fotografias panorâmicas em 1958. Mais tarde na década de 1980, aceitou participar do projeto DATAR, uma organização do governo francês, quando soube que eles tinham uma câmera panorâmica. Viajou para a Bretanha e Normandia, fez fotos em Paris, mas foi somente em Lorena, onde a reestruturação da indústria siderúrgica estava trazendo grandes mudanças para a região, Koudelka percebeu que era essa precisamente a paisagem que mais lhe interessava, observando o impacto da intervenção do homem no meio ambiente. Black Triangle, é claro, tem características que o separam de uma narrativa sobre questões ambientais. A maioria das pessoas considera esta paisagem devastada terrível. Mas, para mim, não é a paisagem que é terrível, o que é espantoso é a destruição. A destruição que fez com que a magnífica paisagem da Boêmia, formada ao longo de séculos, agora não existe mais: Acho que é trágico, mas belo. Horrivelmente belo, diz ele.
Koudelka realmente apaixonou-se pela paisagem, ou seja, que ele não teria fotografado, e ele não teria voltado várias e várias vezes para a mesma região: "Após a sua destruição, a terra lentamente renova o seu ciclo e a vida recomeça. A natureza encontra um novo equilíbrio, cria uma nova paisagem. Diferente da anterior, que agora está irremediavelmente destruída, mas em alguns casos muito interessantes. Nesse cenário, você pode ver o quão forte é a natureza. Que é mais forte que o homem." 
Koudelka fotografou ciganos na Eslováquia e na Romênia. Em 1968, documentou a ocupação soviética de Praga. Incapaz de trabalhar com liberdade na Tchecoslováquia, o fotógrafo buscou asilo político na Grã-Bretanha em 1970. "Eu sei quem eu sou. Eu não faço o que faço para alguém gostar de mim, ou para provar algo para alguém, ou para ser o melhor. Eu faço isso por mim, para minha própria satisfação. Eu quero encontrar os meus limites, para ver até onde posso ir. O máximo, que é o que sempre me interessou - o máximo de mim e o máximo dos outros."


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Fotos: © Josef Koudelka / Magnum Photos ( Black Triangle, Vesmir, Praga, 1994 / Magnum Stories, Phaidon, 2004) 
Um postal para o amigo Nuno Sousa.

segunda-feira, 16 de setembro de 2013

2 minutos pela Síria - Sarah Moon



Béatrice Soulé e Sarah Moon: "O que podem as palavras contra esta barbárie? Pouco. Muito pouco. Mas acreditamos que pouco é melhor do que o silêncio." Assim, nasceu a ideia de realizar vinte curtas-metragens pela paz na Síria, produzidos sob os auspícios da FIDH (Federação Internacional de Direitos Humanos), em colaboração com Shaam News Network. 
As imagens foram feitas por cidadãos sírios, muitas vezes, arriscando suas vidas.



2' pour la Syrie - Sarah Moon por vagueblanchepourlasyrie

sexta-feira, 13 de setembro de 2013

Januário Garcia



Fotografias: © Januário Garcia (música: Ana Terra, composição Yamandu Costa, violino Nicolas Krassik e baixo acústico Guto Wirtti, álbum Lida, 2007).
Em breve, será publicada uma entrevista com Januário Garcia (dono do sorriso mais cativante da fotografia brasileira).
(Fotos gentilmente cedidas. Todos os direitos reservados).

terça-feira, 3 de setembro de 2013

Alt-J: Taro

 

Videoclipe da banda inglesa Alt-J, dirigido por Melissa Murray e produzido pela Ghetto Film School, uma organização sem fins lucrativos.

quarta-feira, 21 de novembro de 2012

Fred Jordão: Sertão Verde



Fred Jordão Imagens e Pró 4 convidam para o lançamento do livro Sertão Verde / Paisagens, com 150 fotografias de Fred Jordão, no dia 28 de novembro de 2012, às 19:00 h, na Livraria Cultura, Recife - PE.
http://www.facebook.com/sertaoverdepaisagens 




quinta-feira, 15 de novembro de 2012

Dez minutos com William Klein

A foto de uma criança apontando uma arma para o fotógrafo, feita na rua, em 1955, tornou-se referência. Mas William Klein, se rebelando contra qualquer ideia de fazer arte consagrada, disse: "Eu não aguento mais a imagem daquele garoto com a arma. É como uma música hit de verão que não suportamos mais ouvir". Fotógrafo, pintor, designer gráfico, diretor de cinema e escritor, Klein impôs um novo estilo, mesclando crítica social, sátira e muita poesia.
(Photo Box, Bringing the great photographers into focus, Robert Koch, Thames & Hudson, 2009)




domingo, 21 de outubro de 2012

Ary Vasconcelos: samba


"Se há uma história que nunca poderá ser escrita, isto é, com todos os seus pontos obscuros perfeitamente iluminados - é a do samba", diz o jornalista, crítico, historiador e musicólogo Ary Vasconcelos (1926-2003), há quase quarenta anos pesquisando sobre o tema, em uma reportagem publicada na extinta revista Piracema, editada por Ivan Junqueira. Em 1967, dois nomes intimamente ligados à história do samba, Pixinguinha e João da Baiana, figuras assíduas no Bar Gouveia, situado na Travessa do Ouvidor, no Rio de Janeiro, forneceram a Vasconcelos toda a geografia do gênero. Cinco eram os principais redutos do samba na segunda década do século, a casa de Tia Ciata, o morro de Santo Antônio, o morro da favela, o morro de São Carlos e o morro do Castelo.
Tia Ciata (Hilária Batista de Almeida, 1854-1924), era uma baiana muito festeira, dizia-se dela que gostava tanto de folguedos que inventava até aniversário para dar festa. Ary Vasconcelos foi uma das poucas pessoas que viu o rosto de Tia Ciata, através de uma fotografia bem nítida em que ela ostentava uma baiana listrada. Ele tentou, de muitas maneiras, obter a foto que estava em poder da sobrinha, a Tia Carmem do Xibuca. Um dia, Vasconcelos soube que essa fotografia fora queimada em um ritual de candomblé, pois Tia Carmem pertencia a uma seita islâmica que não permitia a divulgação de imagens.
Fotos: © Alberto Jacob / Agência JB (A partir da esquerda, Pixinguinha, João da Baiana e Donga) / ( Piracema # 1, Instituto Brasileiro de Arte e Cultura, Funarte / IBAC, 1993)
Um postal para o amigo Giuliano Quase.