sexta-feira, 13 de junho de 2008

Tina Modotti (2)

Em 1920, na Califórnia, a atriz italiana Tina Modotti (1896-1942) posou para Edward Weston, mas logo ela lhe pediu que lhe ensinasse como ser fotógrafa. Alguns anos depois eles se mudaram para o México. Muitos dos amigos de Modotti eram membros do Partido Comunista; pouco depois ela se uniria à recém-formada filial mexicana da Ajuda Vermelha Internacional. Em 1929, após meses tentando interromper suas atividades políticas, Modotti foi expulsa do México, acusada de assassinato de um revolucionário cubano que se tornara também seu amante. A imprensa publicou fotos de Moddotti nua (tiradas por Weston) com o intuito de provar, por meio do mesmo instrumento que ela usara para denunciar a injustiça social, que a artista era "uma mulher de moral dissoluta". Como os Estados Unidos negaram autorização para a sua entrada no país, Modotti segue para Berlim. De Berlim para Moscou e depois para a Espanha. Em 1939, regressou para o México. Três anos depois morre em um taxi, em circunstâncias obscuras. O seu ataúde foi coberto por um pano pintado com a foice e o martelo, e ao pano foi preso um retrato que Weston havia tirado. "A artista que fora dona da própria vida e da própria arte teria, sem dúvida, apreciado a ironia de ter um simbolo político que já não era mais o seu e uma fotografia tirada por outra pessoa coroando a sua partida." Fonte © Alberto Manguel
Foto: © Tina Modotti

2 comentários:

Madalena Lello disse...

No México, 1924, Weston e Modotti vão ver o Circo Russo, na mira de tirarem fotografias. Weston tira à tenda, tirada em "contre-plongé" e a fotografia mais parece uma abstração, Modotti pelo contrário interessa-se pelas pessoas, e na sua fotografia, são elas que aparecem sentadas nos bancos a assistirem ao circo, a tenda será o "pano" de fundo.Modotti aprendeu com Weston, mas Modotti distanciou-se tanto de Weston...
Muito bom o seu blog, parabéns...

Meg disse...

Madalena,

Suas palavras são um verdadeiro incentivo, agradeço muitíssimo

O código de Weston me pareceu um tanto quanto exagerado. Ele não concordava com os princípios do pós-modernismo, tudo lhe parecia falso. Quando escreveu que os "fingimentos de todo tipo, devem ser, e serão apagados". Ele estava enganado.
Na sua vida particular, adorava falsear a realidade e não fazia segredo do seu gosto de vestir-se de mulher.