terça-feira, 26 de janeiro de 2010

Literatura de cordel

A chegada de Lampião no inferno e da prostituta no céu, temas da literatura de cordel, o imaginário da poesia popular em pequenos folhetos. Folhas volantes ou literatura de cordel, a maioria dos exemplares emigrou de Portugal para o Brasil, ingressando no patrimônio oral, desde a segunda metade do século XIX (Luis da Camara Cascudo). Difundida pelo Nordeste e divulgada em todo o Brasil a partir da década de 1950, depois de suas primeiras exposições nacionais e internacionais. Um universo de pelejas, cangaço, romance, diabruras e crendices, a veia bem-humorada dos poetas e cantadores em xilogravuras feitas de casca de cajá ou umburana, logo encontra o contraste de uma quantidade de folhetos ilustrados pela gravura mecânica do clichê metálico, e o crescente uso das reproduções fotográficas. E não é de hoje. Jeová Franklin, jornalista e pesquisador, conta que “a xilogravura não era a ilustração preferida do leitor tradicional, a população rural. Eles preferiam ilustrações mais realistas e detalhadas como a zincogravura e as fotografias. (...) Era comum o comentário maldoso: fulano é feio como capa de cordel.” Hoje, as novas ferramentas tecnológicas preservam e divulgam a cultura popular do sertão, imagens dos xilógrafos com suas goivas e versos em sextilhas: “Nossa terra tem cordel / Que o povo adora escutar / Como o canto mais bonito / Do mais belo sabiá / Ficções e ocorridos / Para sorrir e para chorar.” (Jotacê Freitas, A história do cordel sem maiores pormenores, Salvador, 2005).
Reproduções: Francisco Sales Arêda e Rodolfo Coelho Cavalcante, acervo Fundação Casa de Rui Barbosa / © Jotacê Freitas e Walkíria Andrade)

2 comentários:

O - Fi - Ci - Na De Cor - Del disse...

Caríssima Meg, a citação do Cordel no seu blog, é um requinte. As fotos em p/b dão uma nostalgia muito boa e as questões sociais ficam mais reais. valeu!

Meg Rodrigues disse...

Jotacê,

Obrigada por tudo, aprendi muito através dos seus versos:

"Que falam do dia-a-dia
De acontecimentos reais
E também de fantasias
Estórias fundamentais
Pro imaginário humano
Dos povos ocidentais."

Parabéns pelo trabalho dedicado às crianças nas oficinas de cordel.
Abraços