domingo, 23 de janeiro de 2011

David Goldblatt: Mining men

A trajetória do fotógrafo sul-africano David Goldblatt é pontuada por vários acontecimentos que o motivaram por sua posição contraditória. Seus pais vieram morar na África do Sul para escapar da perseguição aos judeus lituanos, em 1890. Integrante da sociedade branca privilegiada, ao mesmo tempo, vítima de perseguição religiosa. Entre 1965 e1971, Goldblatt iniciou um trabalho documental de uma mina de ouro na região de East Rand, observando cuidadosamente os efeitos do regime do apartheid, questões sociais e morais que regeram a história conturbada pelas políticas segregacionistas de seu país.

Em 1973, numa matéria publicada na revista suíça Camera, Goldblatt escreveu o seguinte sobre o trabalho dos mineiros: Apesar da tecnologia sofisticada, a mineração é essencialmente rudimentar nas profundezas da terra. A complexa hierarquia de empregos é dirigida pelo "Sinker master", ele é o capitão do navio, tecnocrata, explorador, governador colonial, tudo em um, é ele que está à frente de uma equipe de trabalhadores assalariados. Há um âmbito preciso e limitado em todas as etapas, e cada homem sabe exatamente onde está dentro da hierarquia de trabalho, é uma hierarquia de raça. Nos termos da legislação de mineração Sul-Africana, africanos (exceto em algumas minas) são restritos a uma escala menor de valores de remuneração. Particularmente interessante é o paradoxo de aceitação e de lealdade ao sistema. Mas quando ocorre um deslizamento e os homens ficam presos, eles encaram o alto risco do resgate com uma coragem inimaginável – de branco para negro, e de negro para branco. David Goldblatt continua fotografando a sociedade Sul-Africana de hoje, abordando as relações raciais após o fim do apartheid e outros problemas contemporâneos, tais como a epidemia de AIDS.
Fotos: © David Goldblatt / Goodman Gallery (Hillbrow, Johannesburg, 1972 / Mina de ouro, 1966)

Um comentário:

Carmen Troncoso disse...

Caray, me recuerda el derrumbe de una mina en el norte de mi pais, donde 33 mineros quedaron atrapados, su solidaridad marco las fronteras!