"Ver precede as palavras. Mas existe ainda um outro sentido no qual ver precede as palavras: o ato de ver que estabelece nosso lugar no mundo circundante. Explicamos esse mundo com palavras, mas as palavras nunca poderão desfazer o fato de estarmos por ele circundados. A relação entre o que vemos e o que sabemos nunca fica estabelecida. (...) Só vemos aquilo que olhamos. Olhar é um ato de escolha. Como resultado dessa escolha, aquilo que vemos é trazido para o âmbito do nosso alcance. (...) Nunca olhamos para uma coisa apenas; estamos sempre olhando para a relação entre as coisas e nós mesmos. (...) Quando "vemos" uma paisagem, situamo-nos nela. Se "vimos" a arte do passado, nos teríamos situado na história. Quando somos impedidos de vê-la, estamos sendo privados da história que nos pertence."
© John BergerFoto: © Schuh Gotthard
Em 1944, Richard Avedon conheceu Alexey Borodovitch, diretor da Harper's Bazaar, com quem trabalhou durante muitos anos. Na década de 50, inovou a fotografia de moda quando levou as modelos para as ruas de Paris e acrescentou movimento as fotos de estúdio. Essas fotografias, ao longo dos anos 70, transformaram-se na norma-padrão para toda uma geração de fotógrafos. Com o livro In the American West, mostrou a sua versão desencantada do mundo romantizado de cowboys, fotografando jornaleiros, mineiros desempregados e e funcionários públicos. Avedon documentou o seu relacionamento e a morte do seu pai. Nesse ensaio, assim como nos inúmeros retratos de personalidades famosas, o caráter rigoroso dos rostos num fundo branco que fazia ressaltar a própria alma das pessoas.Foto: © Richard Avedon
"Finalmente estou de volta a Calcutá, e com a personalidade!" É com essas palavras que a fotógrafa Marilyn Silverstone (1929-1999) conta a fuga do Dalai Lama para a Índia. Em 10 de março de 1959, Lhasa, capital do Tibete, foi invadida pelas tropas chinesas, no conflito, mais de 80 mil tibetanos foram mortos. Silverstone que estava em Nova Delhi, é a única fotojornalista a seguir o Dalai Lama em seu exílio na Índia, e onde, em pouco tempo, reuniu 200 mil refugiados tibetanos. Marilyn Silverstone, 18 anos mais tarde decide se converter ao budismo. Viveu no Nepal, no mosteiro de Thechen, que ela ajudou a construir. "Se nos tornássemos violentos, não teríamos nada mais a defender." Dalai Lama, 1959
Até os anos de 1960, a sociedade norte-americana era profundamente racista e avessa à igualdade. Na verdade até a Lei dos Direitos Civis, de 2 de julho de 1964, brancos e negros não tinham os mesmos direitos em alguns estados. A fotografia aqui reproduzida testemunha essas injustiças gritantes que foram combatidas por Martin Luther King, Malcolm X e todos aqueles que defendiam o estabelecimento de uma sociedade igualitária. Rosa Parks, negra que ao se recusar a ceder o seu lugar a um branco no ônibus, ajudou a desencadear o movimento pelos direitos civis dos negros americanos, acreditava, quando criança, que a água dos bebedouros para os brancos tinha um gosto melhor.Foto: © Elliott Erwitt
"Mesmo quando se trata do banal, do corriqueiro, do que há de mais comum, lá está o olhar do fotógrafo focado (ou desfocado) naquilo que os olhos menos atentos não estão a enxergar. Há, de fato, uma tendência, mesmo inconsciente, de se buscar o adverso, o contrário, o não trivial, isto é, aquilo que está implícito na visão imediata. (...) O fotógrafo é seduzido pelo grotesco, por tudo aquilo que, de alguma forma não esteja direta ou explicitamente relacionado à própria realidade do objeto fotografado, à sua função primordial, mesmo que esteticamente. É como se o fotógrafo, aí, tentasse a todo custo desafiar o próprio meio que está expressando, burlando uma realidade que, de fato existe." © Fernando Braune
Foto: © Thomaz Farkas (Telhas, 1945)
Josef Koudelka retratou as comunidades de ciganos nos países do Leste europeu. São fotos detalhadas sobre a vida cotidiana: a cultura, o teatro, os gestos, um conjunto de valores humanos de uma espécie ameaçada de extinção. O jovem na fotografia foi condenado e está sendo conduzido ao lugar de execução. Os oficiais que o acompanham não são vistos na foto. Dentro do quadro inclinado, o corpo do cigano cai para trás e sua silhueta forma um desenho impressionante. As fotos de Koudelka são verdadeiros registros antropológicos, mas esse não é o seu principal objetivo, refletem o seu fascínio com o destino de cada grupo e sua sobrevivência no mundo.Foto: © Josef Koudelka
" Nada jamais é dado como se disse que era. É o que jamais vi antes que reconheço. Algo que me impressionou muito cedo foi o fato de que você não coloca numa fotografia o que vai sair nela. Ou vice-versa, o que nela sai jamais é o que você nela colocou. Jamais tirei a foto que tencionava tirar. Elas são sempre melhores ou piores."
© Diane Arbus
"Passa o tempo. Aquilo que você fotografou desapareceu. No próprio instante em que é tirada a fotografia, o objeto desaparece. Aqui a fotografia evoca o mito de Orfeu, que não agüenta mais, tendo chegado ao ápice de seu desejo, finalmente transgride o proibido: assumindo todos os riscos, volta-se para sua Eurídice, a vê e, na fração de segundo em que seu olhar a reconhece e capta, de uma só vez, ela desmaia. Assim toda foto, logo que é feita, envia para sempre seu objeto ao reino das trevas. Morto por ter sido visto. (...) Você nunca chegará ao encontro. Afinal você percebe, entre a imagem captada, em estado de "latência" e a imagem "revelada" nesse lapso de tempo, nesse intervalo, nessa passagem, que muitas coisas podem com efeito ter ocorrido." © Philippe DuboisFoto: Fotograma do filme Orfeu Negro de Marcel Camus (1958)
Sua obra fotográfica, em especial, suas paisagens, tinham um olhar bem original. A maneira como lidava com o céu revelava a sua criatividade diante dos problemas na época (1871). As placas úmidas de vidro tinham sensibilidade somente à luz azul, portanto a área do céu saía automaticamente superexposta, assim como um vazio branco. Os fotógrafos que insistiam numa interpretação espacial do céu resolviam o problema introduzindo nuvens de outro negativo. O' Sullivan (1840-1882), aceitava o céu branco e utilizava-o como elelmento de composição.
Thomaz Farkas integrou o Foto Cine Clube Bandeirante, na década de 40, e dirigiu filmes documentários. Junto com Geraldo de Barros, implantou o setor de cursos no Museu de Arte de São Paulo. Voltou-se para as atividades editoriais escrevendo artigos para o jornal Folha de São Paulo e publicando a revista Novidades Fotoptica na década de 70. Em 1979 criou a galeria Fotoptica, a primeira no país dedicada exclusivamente à fotografia. Conhecido como um dos grandes incetivadores da fotografia no Brasil, Farkas transformou o olhar fotográfico brasileiro, não mais ligado ao pictorialismo dos fotoclubes, mas desenvolvendo uma fotografia madura, em busca de sua própria identidade.
De 1970 a 73, Antonio Augusto Fontes residiu nos EUA, onde estudou fotografia, Antropologia e História da Arte, realizando o ensaio A América e os Americanos. De volta ao Brasil, iniciou a carreira como fotógrafo profissional trabalhando para as revistas Veja, Isto É e Exame. Foi consultor técnico do arquivo fotográfico do Centro de Pesquisa e Documentação da Fundação Getúlio Vargas e do Arquivo Nacional. Nos anos 90 participou de inúmeras exposições no Brasil e no exterior. Em 1984, recebeu o Prêmio Eugène Atget (Paris, França).
Foto: © Antonio Augusto Fontes (Santa Ceia, Rio de Janeiro, 1982 / Coleção Joaquim Paiva)
Jürgen Wassmuth é designer fotográfico graduado e fotógrafo independente de fotografia arquitetônica e industrial desde 1985. Nos anos 80, fez várias viagens de estudo a França, Dinamarca , Polônia e Grécia e organizou também a oficina internacional FOCUS em Nova York e Dortmund, na Alemanha. Em 1988, Wassmuth produziu uma série de imagens sobre a arquitetura de Nova York, fotografias dos edifícios em perspectiva.
"Inegavelmente a foto é essa fixação, essa "mumificação" do instante: do instante enquanto tal, enquanto qualquer e infinitamente circunstancial. A foto pára o insignificante, o atmosférico, o impalpável, ela fixa o real em sua obstinação. Ao mesmo tempo, o fotógrafo trabalha para transformar esse instante qualquer em um instante único: é seu estudo, sua preocupação com o controle, e, correntemente, sua própria definição. Veja-se o fotógrafo amador, cujo sucesso consiste em ter obtido esse efeito de controle à custa de uma imobilização do objeto: "não se mexam!"
© Jacques AumontFoto: © Inge Morath