quarta-feira, 5 de novembro de 2008

Builder Levy



"A imagem fotográfica possui uma eficácia documental comprovada e essa constatação veio acelerar simultâneamente os processos paralelos de censura e de propaganda política através da fotografia. Interessante notar que, tanto no caso da censura como no de propaganda política, não é negado o poder de convencimento do realismo fotográfico, ao contrário, é exatamente nele que ambas as coisas se apóiam. Na censura, a fotografia é proibida para não mostrar uma realidade incômoda. Na propaganda política, ela é deliberadamente exposta para mostrar uma realidade desejada." (Jeziel de Paula, Imagem & Magia). A primeira fotografia de Builder Levy, feita em 1964, é o registro de uma manifestação contra a segregação racial nas escolas norte-americanas. Ao longo da década de 1960, sob a ótica da memória, Levy documentou as manifestações em apoio dos direitos civis e contra a Guerra do Vietnã. E em 2000, voltou a fotografar os protestos políticos nas ruas de Nova York. "Na história da fotografia há um longo continuum de profissionais fazendo esse tipo de trabalho. Eu queria ser uma parte desse continuum".
Fotos: © Builder Levy (http://www.builderlevy.com/ )

3 comentários:

Clara disse...

Estas imagens parecem-se muito com as fotografias que são ultimamente tiradas aqui em Portugal. Isto anda cá com uma revolução, que quase todos os dias vemos manifestações deste género.

claudio versiani disse...

Amiga Meg,

eu estive nesta manifestação, foi em 2003 e foi um horror. A polícia fez de tudo para inibir as pessoas de se manifestarem. O acesso ao local foi restringido, várias ruas fechadas e não foi fácil de se chegar até à concentração. E por fim ficava todo mundo dentro de um espaço cercado e desconectado um do outro. Eram currais. Mesmo assim a manifestação foi um sucesso, algo com 500 mil pessoas, talvez um pouco mais.

O melhor trabalho que eu conheço sobre este "estado policial" é do fotógrafo Anthony Suau que tem um livro que se chama "Fear This".

Ele está certo, deu muito medo. Ainda bem que Bush já está indo para casa, de onde nunca deveria ter saído.

Ab.

meg disse...

Versiani,

Gosto dessas histórias, de ouvir sobre essas vivências, é muito bom.

Você me deu de presente um ensaio sobre o Anthony Suau, na época estava lendo outras coisas e acabei não publicando, foi burrice minha.

Um grande abraço