quarta-feira, 30 de abril de 2008

Fotojornalismo (16)

Mao Tsé-Tung lança entre 1966 e 1969 a Revolução Cultural na China, com a intenção de combater o surgimento de categorias sociais privilegiadas e revitalizar o processo revolucionário do campesinato. A fotografia de © Marc Riboud, na província de Guanxi, foi tirada em 1965, ano que precede a revolução, quando, estudantes e intelectuais, assim como artistas, considerados inimigos do regime, são obrigados a seguir para os campos de trabalhos forçados. Os intelectuais representavam um perigo para o movimento popular por serem capazes de usar seu espírito crítico contra a nova República de Mao.

terça-feira, 29 de abril de 2008

Erich Salomon

Erich Salomon (1886 -1944) implementou mudanças na prática da fotografia de imprensa. Em 1926, explorando as inovações tecnológicas das câmeras de pequeno formato, criou um novo estilo de trabalho, valendo-se do fato de poder fotografar sem ser notado. Munido de uma câmera Ermanox (em 1930, fotografa com uma câmera Leica) e sem a necessidade de flash, suas fotografias são flagrantes de personalidades políticas em conferências e pela primeira vez seriam reveladas ao público. Salomon teve um papel importante na fundamentação do fotojornalismo, não só como fotógrafo mas também como articulador das bases para a profissionalização. Nessa época as fotos publicadas em grande parte da imprensa alemã já traziam os créditos do fotógrafo. O fotojornalista ganhava individualidade e um papel social definido.
Foto: © Erich Salomon

segunda-feira, 28 de abril de 2008

Registro do espaço urbano

Em 1851, proclamando-se imperador depois da revolução de 1848, Napoleão III (sobrinho de Napoleão Bonaparte) criou a missão heliográfica francesa, diagnosticar através da fotografia, o estado de conservação do patrimônio arquitetônico da cidade de Paris. Georges- Eugène Haussmann (1809 -1891) é nomeado prefeito da cidade e responsável, até 1870, pelo projeto de modernização. A proposta de Napoleão III institucionalizou a fotografia como documento de utilidade pública, que oferecia francos a quem fotografasse os aspectos das ruas e de seus monumentos, muitos seriam derrubados para a construção dos boulevards. As fotografias eram compradas pela municipalidade e outras por colecionadores. Surge um instrumento capaz de registrar o que está desaparecendo.
Foto: © Charles Marville (1816 - 1879)

quarta-feira, 23 de abril de 2008

Paul Strand

As fotografias de Paul Strand (1890 - 1976) abrangem quase todos os temas, incluindo retratos e imagens documentais, paisagens e temas arquitetônicos. Strand começou a produzir fotos abstratas em 1915. Ele disse que aquele que pretendesse usar a fotografia com honestidade precisava resguardar verdadeiro respeito por aquilo que via diante de si. Em 1917, a revista Camera Work dedicou sua última edição às fotografias de Strand, divulgando a estética da "fotografia direta". No início dos anos 20, produz imagens em close-up da natureza. Paisagens em miniatura, explorando suas formas e estruturas geométricas, a expressão do "microcosmo", uma proposta de estilo apresentada nos Estados Unidos, no período entre as duas Guerras Mundiais.

terça-feira, 22 de abril de 2008

Retoques históricos


O mais conhecido caso de retoque é esta imagem de Lenin discursando para as tropas diante do teatro Bolshoi, em 1920. A fotografia, que servia como instrumento político, foi retocada para retirar de cena Trotsky e Kamenev, inimigos de Stalin, depois assassinados. Trotsky morre vítima de um atentado e Kamenev é fuzilado na prisão. A foto original foi um ícone soviético enquanto Lenin viveu e Trotsky estava no poder. No livro de David King, The Commissar Vanishes (O Comissário Desaparece, a falsificação de fotografias e da arte na Rússia stalinista), o autor escreve: "Nos tempos de Stalin havia tanta manipulação de material pictórico que é possível reconstruir a história da União Soviética com base nas fotografias retocadas."

sexta-feira, 18 de abril de 2008

Arte e preconceito

"A trajetória da fotografia no processo cultural brasileiro embaralha os preconceitos. No século XIX, as Exposições Gerais da Academia Imperial aceitavam a fotografia - ou seja, estiveram abertas para o novo meio moderno. Poderia parecer paradoxal que não houvesse lugar para a fotografia na Paulicéia Desvairada e na Semana de Arte Moderna, pois até 1922 os semanistas foram hostis à fotografia, denotando o completo desconhecimento das possibilidades expressivas da fotografia. Não faltaram declarações de Oswald de Andrade ("Arte não é fotografia, nunca foi fotografia! A arte é expressão, símbolo comovido!", 1921) e de Mário de Andrade ("Fujamos da natureza! Só assim a arte não se ressentirá da ridícula fraqueza da fotografia... colorida", 1921-22). Afinal, a mistificada Semana tinha seu ranço acadêmico, pois reduziu as artes visuais às categorias do próprio ensino acadêmico (pintura, escultura, desenho, artes decorativas e arquitetura - já que não ousou com cinema ou fotografia)."
© Paulo Herkenhoff
Foto: © Augusto Malta (1864-1957)

quinta-feira, 17 de abril de 2008

Herbert List

Em 1930, Herbert List (1903-1975), fascinado com a pintura surrealista e a influência da Bauhaus, desenvolve seu próprio estilo. Fotografando objetos em um contexto diferente, List descreveu as composições fotográficas de "encontros entre fragmentos arrancados da realidade" e, a idéia de "captar a magia da aparência na imagem". Em 1937, realiza uma série de ensaios nas ruínas de Atenas, na Grécia. Produz imagens encenadas, com as esculturas cobertas por tecidos, o tópico do cobrir e do descobrir. Em 1953, List começa a trabalhar com uma câmera de 35 mm e a partir daí suas imagens tornam-se mais espontâneas. A sua fotografia "metafísica" se confronta com a visão de praças e ruas da Itália, se alterna entre os retratos de grandes artistas e rostos de pessoas comuns.

segunda-feira, 14 de abril de 2008

Karl Blossfeldt

Karl Blossfeldt (1865-1932) utilizava um aparelho de madeira que ele próprio construíra para fotografar as plantas como suporte pedagógico nas aulas de desenho da Escola de Artes Plásticas de Berlim. Não era um fotógrafo, no sentido estrito do termo; pelo menos não se considerava como tal. Durante os trinta anos de atividade, centenas de imagens ficaram conhecidas com a publicação dos livros (As Formas Originais da Arte e Jardins Maravilhosos da Natureza), o universo foi de aproximadamente 6.000 fotos. Nas primeiras décadas do século XX, a abordagem conceitual de Blossfeldt interessou diferentes movimentos artísticos, pois conseguiu transceder o modelo tradicional da época.

sexta-feira, 11 de abril de 2008

Fotografar / Visionar

O que Rimbaud pede à poesia: não a produção de belas obras, nem a resposta a um ideal estético, mas que ela ajude o homem a ir a algum lugar, a ser mais do que ele mesmo, a ver mais do que ele pode ver. (Carta do Vidente)
"Tudo se passa como se, perante a imagem fotográfica, a visão empírica se desdobrasse numa visão onírica, análoga a isso que Rimbaud chamava de vidência, e não de todo estranha ao que as videntes chamam ver uma segunda visão, como é costume dizer-se, uma visão que, por último, viesse revelar as belezas ou segredos ignorados da primeira. Certamente não foi por acaso que os técnicos sentiram a necessidade de inventar, para preencher a insuficiência do verbo ver, o verbo visionar." © Edgar Morin
Foto: © Izis

quinta-feira, 10 de abril de 2008

Claudia Andujar

Claudia Andujar viveu na Hungria e nos Estados Unidos antes de mudar-se para o Brasil, nos anos 50, quando começou a fotografar. Naturalizou-se brasileira em 1957. Desenvolveu atividade como fotojornalista e, no início da década de 70, partiu para um trabalho independente, documentando a vida dos povos indígenas da Amazônia, em especial os Yanomamis, chegando a viver com eles longos períodos. As fotos que realizou nessa época são seus trabalhos mais conhecidos até hoje, tendo sido expostos em museus de todo o mundo. Particicipou, entre outras ações, da comissão pela criação do Parque Yanomami, em 1979. Através de seu trabalho, manteve um diálogo intenso com questões políticas como a luta por reconhecimento e demarcação de terras indígenas.
Foto: © Claudia Andujar

quarta-feira, 9 de abril de 2008

Fotojornalismo (14)

O aiatolá Khomeini volta do exílio em 1979, quando o xá do Irã, impopular e contestado, é forçado a deixar o país. Khomeini põe fim à monarquia e se torna o guia espiritual. A foto aqui reproduzida mostra uma manifestação de protesto contra o regime do xá, em Teerã. Foi tirada pelo fotógrafo Abbas (Magnum Photos) que viu, quando de repente, uma das primeiras fotos de Khomeini apareceu ali, símbolo dessa revolução popular. Mais tarde Abbas perceberia que as mulheres, algumas com os cabelos ao vento, estavam ao lado dos homens, o que seria rigorosamente proibido depois de instaurado o novo regime autoritário e a lei islâmica xiita.

As fotografias podem mentir

O fotógrafo Matthias Wähner, produziu uma série de autofotografias sob o título de Mann ohne Eingenschaften ( homem sem qualidades). Wähner instalou por meio do processamento digital a imagem de si mesmo. É assim que, em uma foto, ele aparece ao lado dos Beatles ou ainda com a família Real da Inglaterra. Essas e outras manipulações da imagem fotográfica são as razões por que Umberto Eco argumenta que as fotos podem mentir. Mas é improvável que Matthias Wähner seja um mentiroso. A diferença entre uma verdadeira simulação, uma mentira visual e uma mera brincadeira está na dimensão da mensagem. Qualquer observador das fotos de Wähner não corre o risco de acreditar nelas. Wähner se tornou uma testemunha ficcional. São imagens que representam, mas não correspondem à realidade representada.

sexta-feira, 4 de abril de 2008

Fotojornalismo (12)

Em 12 de abril de 1961, o astronauta Iuri Gagarin dá uma volta em torno do planeta a bordo da cápsula Vostok. Os russos são, assim, os primeiros a enviar um homem ao espaço, realizando um dos sonhos mais loucos da humanidade. A cápsula ficou 108 minutos em órbita e Gagarin retorna como herói da União Soviética. A foto aqui reproduzida mostra um cartaz comemorativo e foi tirada por Marc Riboud. Na ocasião, o fotógrafo perguntou a um jovem estudante de Moscou, se ele acreditava em Deus. O jovem lhe respondeu que não: "não acredito! Gagarin subiu até o céu e não o viu!"

terça-feira, 1 de abril de 2008

Pierre Verger

Pierre Édouard Léopold Verger (1902-1996), fotógrafo, escritor, etnólogo e historiador que encontrou, em 1946, um lugar chamado Boa Terra. Este era o nome pelo qual se chamava na Bahia de antigamente a sua capital, Salvador. Verger viajou pelo mundo e entendia a sua atividade de fotógrafo apenas como uma forma de sobrevivência: trocava constantemente as suas fotos por alimentação, transporte ou hospedagem, colaborando, nessas condições com diversos jornais e revistas da Europa e da América Latina. A sua atividade como fotógrafo lhe trouxe uma reputação que, mesmo não tendo procurado, lhe permitiu fundar, junto com outros fotógrafos, a agência Alliance Photo (1934-1940). Verger acumulou durante suas viagens um inestimável acervo de 26.000 negativos.