quarta-feira, 22 de outubro de 2014

José Bassit: Ceasa

Suas obras integram acervos de instituições como a Pinacoteca do Estado de São Paulo e o Museu de Arte de São Paulo. Fotojornalista desde 1985, José Bassit dedica-se com exclusividade aos projetos pessoais, empreendendo uma série de viagens por todo o país.

Você fez o ensaio fotográfico Ceasa (Centro de Abastecimento, a Companhia de Entrepostos e Armazéns Gerais de São Paulo). Como se dá a escolha de um determinado tema? 
Bassit: O ensaio do Ceasa surgiu de minhas andanças pelo Brasil. Uma das primeiras coisas que faço quando chego em alguma cidade, é visitar e também fotografar os mercados e feiras livres, Os mercados, além de uma riqueza visual muito grande, me mostram um pouco da cultura do lugar. A comida, os produtos vendidos, o artesanato e as pessoas que lá encontro mostram as características e peculiaridades da cidade e de seu povo. Estas visitas aos mercados e feiras, despertaram um olhar pelo Ceasa, que é o maior centro atacadista de alimentos do Brasil. A idéia do ensaio foi mostrar de onde vem a distribuição dos alimentos que abastecem a cidade de São Paulo. Depois de alguns dias fotografando, percebi que haviam produtores de todo país descarregando suas frutas, legumes e verduras, e se reabastecendo com outros produtos para levar a seu lugar de origem. Isto me mostrou a importância do Ceasa, como o maior centro de distribuição de alimentos do Brasil. 
Como é sua relação com as pessoas fotografadas? 
B: Quando há abertura , eu converso e levo fotos para eles depois.Tem casos que a interação muito estreita com o fotografado, pode atrapalhar tirando a concentração e o foco do objetivo. Mas este não foi o caso do Ceasa. Até fiz alguns amigos lá. 
O que lhe interessa em fotografia? E qual a importância da fotografia documental. 
B: Me interesso muito por trabalhos pessoais, autorais e documental. Acho bom quando você é que decide seu projeto, e não ter de agradar a ninguém, a não ser a você mesmo. No caso da fotografia documental, não existe tempo estipulado para você finalizar o trabalho, o que faz com que o fotógrafo se aprofunde no tema e obtenha um resultado mais amplo e completo do que esta fotografando. 
O seu trabalho sobre manifestações da fé, o que fica desta experiência? 
B: O trabalho "Imagens Fiéis" foi fotografado por 5 anos. Quando comecei, não sabia da grandeza da fé de nosso povo. Comecei em Juazeiro do Norte, a terra de Padre Cícero, em 1998, e me apaixonei de cara. Percebi que estava fazendo alguma coisa grande para mim e para minha fotografia, por isto foi o trabalho mais importante que fiz até agora. Ao longo dos anos, fiz 27 viagens a festas e manifestações religiosas pelo Brasil, num total de 7 estados. A convivência com as pessoas, fotografadas ou não, foi a melhor parte deste projeto, pois descobri um Brasil que eu desconhecia. Em 2003, o ensaio virou livro; "Imagens Fiéis", pela editora Cosac & Naify, o que me deu muita satisfação e alegria.

Coisas assim, como se fosse uma aventura única, a de ser fotógrafo.

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Fotos: © José Bassit (cortesia do fotógrafo. Todos os direitos reservados) 
Entrevista realizada em 2012.

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