sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009

Raymond Depardon


Em 1960, quando ingressou na agência Dalmas, em Paris, Raymond Depardon, um rapaz tímido, filho de agricultores, era o oposto do repórter itinerante descobrindo o mundo. Depardon que aprendera a fotografar aos 12 anos, comparava as fotos feitas em sua fazenda com o trabalho em fotojornalismo, coisas bem diferentes, mas ainda um meio de contar histórias. Em 1966, foi co-fundador da agência Gamma, e em 1973 assume a direção da agência em função de uma crise interna. Paralelamente à sua carreira fotográfica, Depardon começou a dirigir filmes documentários: Une Partie de Campagne e San Clemente. Em 1979, produz o seu primeiro longa-metragem como fotógrafo da agência Magnum Photos, registros da guerra civil no Líbano e no Afeganistão, após a intervenção militar soviética. Raymond Depardon declarou que o mais importante no fotojornalismo é a narrativa da imagem. Fotografias são memórias pessoais ou estados de espírito, como o documentário sobre o hospital psiquiátrico San Clemente, em Veneza - uma tentativa de se comunicar com os pacientes, que muitas vezes ilustra a difícil relação entre o fotógrafo e fotografado. Em 2004, Depardon embarcou em uma grande missão, com o apoio do Ministério da Cultura do seu país: fotografar todo o território francês.
Fotos: © Raymond Dapardon

Galeria: Raymond Depardon



Fotos: © Raymond Depardon (Magnum Photos)

terça-feira, 24 de fevereiro de 2009

Stanley Kubrick



O livro Drama & Shadows: photographs 1945-1950, publicado em 2005 pela Editora Phaidon, revela as primeiras fotografias do diretor de cinema Stanley Kubrick (1928-1999). Aos 16 anos, Kubrick enviou para a revista Look, a foto que fez com uma câmera Graflex, de um vendedor de jornais lendo a notícia da morte do presidente Franklin Roosevelt. A publicação da fotografia marcou o início de sua carreira como repórter fotográfico até 1950, quando fez o seu primeiro filme curta-metragem em 16 mm. O espólio da Look com as fotografias de Kubrick, foi doado ao acervo da Biblioteca do Congresso norte-americano, incluindo a importante reportagem sobre os contrastes da cidade de Chicago. O livro traz ainda, sua biografia por Rainer Crone, com observações que estabelecem ligações entre a fotografia e filmografia de Kubrick, por exemplo, através dos aspectos dramáticos do boxe. O ensaio fotográfico "Prizefighter" com a sequência de imagens do boxeador Rocky Graziano, realizado em 1949, tem a mesma complexa composição de iluminação e enquadramento em relação às cenas do seu primeiro documentário "O Dia da Luta", de 1951. As fotografias de Stanley Kubrick denotam sua cultura no domínio da percepção visual, o que mais tarde seria a sua assinatura.
Foto: © Stanley Kubrick (Autorretrato c. 1945)
Reproduções © Phaidon Press

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009

Henry Wessel

Henry Wessel cresceu na cidade de Nova Jersey, e em 1968 foi a Nova York para mostrar alguns de seus trabalhos ao diretor de fotografia do MoMA, John Szarkowski, cujo incentivo e conselhos foram determinantes para Wessel desenvolver um estilo próprio. Em 1971, recebeu bolsa da Fundação Guggenheim para documentar rodovias e a paisagem do oeste americano. Quando Wessel desembarcou em Los Angeles, em 1969, queria fotografar tudo à vista, principalmente os detalhes da arquitetura dos subúrbios, transformando em inspiração qualquer coisa a partir da estética do cotidiano. As fotos eram organizadas em torno de um elemento central, um sinal de trânsito, um gramado ou um tronco de árvore. Sua primeira exposição individual apresentou as fotografias que fez na Califórnia e Novo México. Em meados da década de 1970, passou a organizar os elementos no centro da imagem, como um retrato, mas sem abandonar a narrativa informal ou até mesmo irônica. Henry Wessel faz parte de uma geração de fotógrafos que questionou o diálogo crítico a respeito da definição de fotografia documental.
Fotos: © Henry Wessel Jr (São Francisco, Califórnia, 1973),

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009

Galeria: Wojtek Wieteska



Fotos: © Wojtek Wieteska (www.wojtekwieteska.com.pl/)

Esquire

"As capas de George Lois para Esquire, produzidas de 1962 a 1971, são ícones editoriais das artes gráficas e da história norte-americana. Muitas das colaborações que o fotógrafo Carl Fischer fez levavam uma média de três dias para serem produzidas e são consideradas as imagens publicitárias mais memoráveis já feitas por qualquer mídia. Utilizando a técnica de manipulação fotográfica, as capas de Lois e Fischer se igualam em adstringência e acuidade ao pioneiro fotomontador alemão John Heartfield. (...) A lata de sopa Campbell"s de Andy Warhol, por exemplo, não era o artigo principal da revista, mas foi uma das melhores capas que Lois fez. (...) O interesse de Henry Wolf (editor gráfico) em alta e baixa cultura manifestava-se em excitantes fotografias realizadas pelos mais promissores criadores de imagens dos Estados Unidos. (...) Durante o final da década de 1960, a Esquire acompanhou as revoluções sociais e políticas de sua época. Enquanto muitas das capas anunciaram reportagens sobre besteiras políticas e mudanças de costumes, suas sarcásticas paródias, Dubious Achievement Awards, suplementos universitários e outras atrações ganharam a confiança de uma geração de leitores da "Nova Esquerda". " Steven Heller (Linguagens do Design, Compreendendo o design gráfico, 2004, Editora Rosari, tradução Juliana Saad)

Paul Senn

Paul Senn (1901-1953) foi um dos primeiros profissionais da fotorreportagem suíça. Depois de alguns anos no exterior e várias tentativas como pintor, estabeleceu-se em Berna como artista gráfico. Graças a um casual encontro com o redator Arnold Kübler, Senn começou a fotografar para a revista Zürcher Illustrierte. Nos anos 1930 a 1950 trabalhou como correspondente fotográfico, não por encontrar-se sempre presente onde e quando algo acontecia, mas também porque as suas imagens testemunhavam um amplo documento social. Camponês e operário (Bauer und Arbeiter), seu livro mais importante numa época em que, como em 1943, o tema social do camponês começava a ser de interesse nacional, mas continuava sendo representado de forma estilizada.
Foto: © Paul Senn (Imbiss, 1943) (http://www.paulsenn.ch/)

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2009

Rudi Meisel



Depois de estudar fotografia com Otto Steinert na Folkwangschule em Essen, Rudi Meisel fundou, em 1975, com os fotógrafos André Gelpke e Gerd Ludwig, o grupo Visum, a primeira agência de fotógrafos da Alemanha funcionando atualmente em Hamburgo. Desde os anos setenta tem seu trabalho com fotorreportagens e retratos publicados nas principais revistas, Spiegel, Life, Zeit e outras. Participou em numerosos projetos, incluindo imagens de arquitetura, exposições e na área do ensino com cursos e oficinas. Desde então, Rudi Meisel manteve-se fiel à "fotografia de rua" (street photography), sempre em preto e branco, à semelhança de outros grandes mestres, Friedrich Seidenstücker, Heinrich Zille, Robert Frank, William Klein, Lee Friedlander e Garry Winogrand. "A fotografia de rua", ao contrário do fotojornalismo, não tem necessariamente uma importância óbvia, é o registro do cotidiano, é a própria vida. Rudi Meisel, nascido em 1949, vive em Berlim.
Fotos: © Rudi Meisel (Londres, 1967-2005)

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009

Galeria: Burt Glinn



"Se a Ilha não triunfar perderemos tudo, até a esperança." Jean-Paul Sartre (Furacão sobre Cuba, 1960). Fotos: © Burt Glinn (1925-2008) (Magnum Photos, Revolução Cubana, Havana, 1959).

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009

Irving Penn: São Francisco



Na década de 1960, milhares de jovens migraram de várias partes dos Estados Unidos para a região de Haight-Ashbury, distrito da cidade de São Francisco, na Califórnia. Irving Penn propôs ao editor da revista Look, George Leonard, um ensaio fotográfico sobre este novo estilo de vida e, a promessa de que o único texto que acompanharia as imagens seriam as palavras reais, os ideais da comunidade. Em 1967, Penn alugou o segundo andar de um galpão em Sausalito, com um grande elevador de carga e vigas suficientemente fortes para suportar as pesadas motocicletas dos Hell's Angels. Hippies e grupos de rock surpreenderam Irving Penn com o alto nível de concentração durante as fotos, gentis e pacientes, mantinham seus olhos fixos na lente da câmera. Já o grupo dos Hell's Angels, avessos ao confinamento, após horas no estúdio sairam aos gritos em suas possantes motos. Irving Penn revelaria mais tarde a experiência ao editor: "Quando eles finalmente caíram na estrada, dei o meu mais profundo suspiro." Todas as fotografias foram feitas com Rolleiflex, câmera utilizada pelo fotógrafo durante muitos anos em suas viagens.
Fotos: © Irving Penn (Worlds in a Small Room, 1974)

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009

Diálogo com as imagens

O livro O Universo das Imagens Técnicas: Elogio da superficialidade, de Vilém Flusser, AnnaBlume Editora, 2008, teve sua primeira edição em alemão, em 1985, é um ensaio sobre o futuro imediato, uma crítica da revolução cultural da atualidade. Em meio aos novos gadgets todos, uma fotografia é reproduzida sem qualquer tipo de aprendizagem, copiada sem o conhecimento quanto aos processos óticos e químicos do original. As imagens aparecem, enquanto superfícies aptas a serem manipuladas dialogicamente. Flusser formula precisamente o fato de "os problemas técnicos da nova cultura podem ser desprezados e relegados a especialistas." Não dialogamos mais com as imagens, estão inscritas num programa, apenas sintetizamos todas as informações recebidas e armazenamos automaticamente em "memórias indestrutíveis". A solidão a que ele se refere frente a uma tela do computador é o vazio provocado pela ausência de criatividade: "Todos recebem imediatamente um número colossal de informações, mas todos recebem o mesmo tipo de informação, não importa onde estejam."
Foto: © Dorothea Lange (Archive Library of Congress, FSA,1939)

Carta de Baudelaire

O poeta Charles Baudelaire (1821-1867) temia a vulgarização da arte a partir da invenção da fotografia, uma cópia exata da natureza, "um ato de um deus vingativo". "Baudelaire que, ao mesmo tempo em que denuncia com virulência o gosto da multidão pela foto, nem por isso deixou de pedir que Nadar e Carjat fizessem seu retrato várias vezes." Philippe Dubois (O ato fotográfico, 2006). Escreve em 1865 à sua mãe: "Eu gostaria muito de ter teu retrato. É uma ideia que se apoderou de mim. Existe um fotógrafo excelente no Havre. Mas temo que isso não seja possível nesse momento. Eu teria de estar presente. Tu não entendes disso, e todos os fotógrafos, mesmo excelentes, tem manias ridículas: consideram uma boa imagem a imagem em que todas as verrugas, todas as rugas, todos os defeitos, todas as trivialidades do rosto tornam-se muito visíveis, muito exageradas: quanto mais a imagem for dura, mais ficam satisfeitos. Ademais, gostaria que o rosto tivesse pelo menos a dimensão de uma ou duas polegadas. Só em Paris há quem saiba fazer o que desejo, ou seja, um retrato exato, mas com o flou de um desenho. Enfim, vamos pensar nisso, não é?"
Foto: Étienne Carjat (1828-1906) (retrato Baudelaire, 1863)

Bilhete a Baudelaire

Vinicius de Moraes

Poeta, um pouco à tua maneira
E para distrair o spleen
Que estou sentindo vir a mim
Em sua ronda costumeira
Folheando-te, reencontro a rara

Delícia de me deparar
Com tua sordidez preclara
Na velha foto de Carjat
Que não revia desde o tempo

Em que te lia e te relia
A ti, a Verlaine, a Rimbaud...
Como passou depressa o tempo

Como mudou a poesia
Como teu rosto não mudou!

Antologia Poética, 1954

terça-feira, 3 de fevereiro de 2009

Retratos: Cartier-Bresson



"Qualquer pessoa pode ser fotografada, todo indivíduo é um retrato em potencial. O rosto do homem da rua pode ser bem mais estimulante do que uma personalidade. Questão de apetite visual, indispensável para que a Leica se erga nos ares e siga sua irresistível ascensão até a altura do olho. (...). O museu imaginário das melhores fotos de Cartier Bresson não seria uma galeria de retratos, mas sim uma galeria de acasos. Alguns encontros transformaram-se em face a face, mas na maior parte das vezes são retratos de perfil, pois os personagens de Cartier-Bresson raramente têm um olhar franco, reto, direto. Não podem ser fruto de uma cumplicidade circunstancial, já que têm a profunda marca da conivência. Os vestígios desses rostos têm uma alma. Não importa se, entre as centenas de milhares de espectadores do retrato, apenas alguns sejam sensíveis a esse segredo. (...)."
© Pierre Assouline (Cartier-Bresson O olhar do século, 2008)
Fotos: © Henri Cartier-Bresson (Balthus, 1990 / Alberto Giacometti, 1961 / Pierre Bonnard, 1951

Barbara Kinney

Barbara Kinney, especializada em editorial, corporativo e retratista, trabalhou como fotógrafa pessoal de Bill Clinton. Em 1996, recebeu o prêmio World Press Photo por esta fotografia. Estavam presentes na Casa Branca, o Presidente Clinton e além do Primeiro-Ministro israelita, Yitzhak Rabin e do Presidente egípcio, Hosni Mubarak, o rei Hussein da Jordânia e o líder palestino, Yasser Arafat, momentos antes do evento de aperto de mãos para um possível acordo de paz entre os líderes de Israel e da Palestina. Foi aí que Bill Clinton recebeu o aviso de um jovem ajudante:
"Sr. Presidente, é preciso endireitar sua gravata." E todos fizeram a mesma coisa. Na ocasião, o único gesto espontâneo, não encenado de Clinton. Na verdade, o acordo de paz foi negociado diretamente, e secretamente entre Rabin e Arafat. Esta fotografia é só um pedaço da história, um nó a ser desatado, a busca pela paz no Oriente Médio continua.
Foto: © Barbara Kinney (Washington DC, 1995)

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009

Bernd Arnold



A partir dos anos de 1986 a 2004, o fotógrafo Bernd Arnold documentou os rituais da igreja católica na Alemanha. A arquidiocese de Colônia, Renânia do Norte-Vestfália, é conhecida como uma das mais ricas e poderosas. Arnold iniciou o registro das imagens nos gestos e atitudes comportamentais em diferentes contextos sociais. O tema Poder e Ritual, inevitavelmente, acabou abrangendo outros segmentos: política e mídia. Realidades socias com códigos e formas de condutas semelhantes, segundo o olhar de Arnold, como a campanha eleitoral democrática alemã, reuniões dos líderes da cúpula econômica mundial e a produção de cenários para a televisão (ensaio O mundo é uma tela de TV?). Poder e Ritual (Macht und Ritual), projeto composto por 77 fotografias apresentadas em diversas exposições. Apesar do tema polêmico em torno das relações entre política e religião, suas imagens não profetizam nem céu nem inferno. Bernd Arnold trabalha como fotógrafo free-lancer para as revistas Stern, Die Zeit, Das Magazin, Neue Zürcher Zeitung, GEO e outras. É membro da agência Visum desde 1998.
Fotos: © Bernd Arnold (www.berndarnold.de)