quarta-feira, 30 de julho de 2008

Peter Keetman

Peter Keetman (1916-2005) trabalhou no estúdio do fotógrafo Hesse Gertrud, em Duisburg, e dois anos mais tarde como fotógrafo industrial para a empresa de CH Schmeck, em Aachen. Em 1944, concluiu os seus estudos com Adolf Lazi, no Instituto de Fotografia em Estugarda. Keetman foi um dos membros fundadores do grupo Fotoform, em 1949, que é considerado como um dos mais importantes grupos de fotógrafos alemães do período pós-guerra. Em 1950, juntamente com os outros membros do grupo (Heinz Hajek-Halke, Wolfgang Reisewitz e Otto Steinert), Keetman participa da exposição Photokina. A partir dessa exposição torna-se conhecido através do seu trabalho experimental, imagens de representação gráfica com efeitos de luz, em particular a foto Gotas Refletoras. O grupo Fotoform influenciou o movimento internacional de "Fotografia Subjetiva" (principalmente na Europa), uma outra visão estética, em contraste com a fotografia puramente documental, uma referência para muitos fotógrafos até hoje.
Foto: © Peter Keetman

quinta-feira, 24 de julho de 2008

A fotografia russa

A fotografia russa no período entre as guerras mundiais (1917-1941) experimentou com entusiasmo uma nova dinâmica de expressão. Em 1917, foi criado o departamento de fotografia e cinema, vinculados ao Comitê Central de Estado. A imagem de uma sociedade oprimida pelas guerras foi substituída por uma imagem mais realista. A fotografia e o cinema serviram de instrumento para a propaganda política, orientada para a educação, uma de suas funções sociais mais dominantes. Em condições econômicas difíceis, participam do programa os fotógrafos: Rodchenko, Alpert, Galina, Selma e muitos outros. Em 1921, surge o primeiro grupo de Trabalho dos Construtivistas e assim destacam-se artistas como Klutsis, Rodchenko e Lissitzky. Alexander Rodchenko adota novos pontos de vista, forçando o observador a reconsiderar o significado normal do mundo. Essas são as mesmas qualidades que levaram as suas fotografias a serem condenadas como irrealistas pelos defensores do socialismo convencional. Após a dissolução do grupo Lef, de tendência romântica e revolucionária, em 1928, formou-se o grupo Outubro que é visto como uma contradição radical da política do governo e é fechado no início dos anos 30. Rodchenko e Lissitzky continuam suas carreiras em projetos gráficos e ensaios fotográficos para revistas como a URSS em Construção.
Foto: © Alexander Rodchenko

terça-feira, 22 de julho de 2008

Fotojornalismo (21)

A Bósnia proclama a independência em 15 de outubro de 1991, promovendo a separação da antiga Iugoslávia. Sob o comando de Slobodan Milosevic, os defensores de uma "grande Sérvia" apóiam 1,5 milhão de sérvios da Bósnia contra 2 milhões de mulçumanos e 750 mil croatas que também vivem ali. O cerco de Sarajevo pelas tropas sérvias é o mais longo da História moderna, de 5 de abril de 1992 a 29 de fevereiro de 2006. O fotógrafo Gilles Peress passou seis meses em Bósnia documentando a guerra, a população mulçumana e croata que fugia da "limpeza" étnica e a destruição da cidade. As imagens foram publicadas no livro Farewall to Bosnia. Ontem, em Sarajevo, centenas de pessoas saíram às ruas para comemorar a notícia da prisão do ex-presidente Radovan Karadzic.
Foto: © Gilles Peress

segunda-feira, 21 de julho de 2008

LIFE

"Ver a vida, ver o mundo": com essas palavras foi publicado, em 23 de novembro de 1936, o primeiro número da revista Life. Fundada por Henry R. Luce que descrevia a fotografia como sendo "uma nova linguagem, difícil e ainda não dominada, mas incrivelmente poderosa" - a máquina mais importante da era da comunicação porque oferecia uma janela objetiva para o mundo. A Life não era a primeira revista norte americana inteiramente composta de fotografias. Em 1896, o New York Times havia publicado um suplemento semanal fotográfico. Outros periódicos haviam seguido esse exemplo, mas nenhum com o êxito de Life. Um dos diretores do departamento fotográfico da revista era Wilson Hicks, que durante treze anos no cargo, compreendia bem a importância de se manipular expressões. Hicks formou toda uma geração de fotógrafos como: Margaret Bourke-White, Alfred Eisenstaedt, Martin Munkacsi, Andreas Feininger, Gjon Mili, Carl Mydans e muitos outros. A Life nasceu em um período de mudanças sociais e políticas e, rapidamente, alterou a maneira pela qual a fotografia era usada e percebida, mudou o jeito de ver o mundo.
Foto: © Margaret Bourke-White

sexta-feira, 18 de julho de 2008

Robert Capa

Robert Capa (1913-1954) fotografou cinco guerras, começando pela Guerra Civil Espanhola, em 1936. A imagem do soldado no momento exato em que é morto é a sua foto mais famosa e também a mais discutida. A foto do desembarque das tropas na Normandia, o Dia D, em 1944, também foi publicada em todo o mundo e logo essas duas imagens se tornaram ícones do fotojornalismo. Capa não estava lá por acaso, sua obra é o resultado de uma busca deliberada. Seu verdadeiro nome é André Friedmann, que na década de 1930, em Paris, conhece Gerda Taro (Gerda Phoryller), também fotógrafa. Foi Gerda que lhe deu a idéia de adotar o nome Robert. Ele adorava o trabalho do cineasta Franz Capa, assim surgiu o pseudônimo Robert Capa. A sua coragem e o seu talento para transmitir os sentimentos das pessoas valeu-lhe grande admiração, em essência, como neste trecho do poema de John Donne (1572-1631): "A morte de qualquer homem me diminui porque estou envolvido com a humanidade. Por isso nunca pergunte por quem os sinos dobram; eles dobram por ti".
Foto: © Robert Capa (Hemingway com seu filho Gregory, 1941).

quinta-feira, 17 de julho de 2008

José Medeiros

José Medeiros (1921-1990) aprendeu a técnica de revelação, aos 12 anos, com seu pai, um fotógrafo amador. Em 1940, se inicia como fotógrafo profissional nas revistas Tabu e Rio. Em 1946, a convite do fotógrafo Jean Manzon, Medeiros passa a fazer parte da redação da revista O Cruzeiro. Nesta época realiza inúmeras viagens à Europa, Estados Unidos e à Africa. Ao longo dos anos que trabalhou em O Cruzeiro, algumas de suas fotos foram reproduzidas em outras revistas, como a norte-americana Time. Em 1957, publica o livro Candomblé, trabalho fotográfico que revelou o secreto ritual de iniciação. Medeiros também se destacou pelo registro de imagens inéditas de tribos indígenas. Em 1962, cria, com Flávio Damm, a agência fotográfica Imagens. Em 1965, passa a se dedicar ao cinema. Alguns de seus 20 mil registros podem ser encontrados no MAM, Coleção Pirelli (Masp), Coleção Joaquim Paiva e no Instituto Moreira Salles.
Foto: © José Medeiros

Sonho

"A fotografia, como a de José Medeiros, nos faz viver, em renovado feitio, algo que impregna nossa vida afetiva, compartilha de nossas emoções. (...) A foto no momento em que a olhamos, provoca evocações, revela as imagens que nos habitam. Dentro e fora. A fotografia promove a desordem da realidade. Nesse sentido, ela não é o real, mas o sonho. Ou melhor: é o real reconstruído, articulado e costurado de outra forma, de uma forma semelhante ao sonho. (...) Como explica Antonio Damásio em O Mistério da Consciência: "As imagens são construídas quando mobilizamos objetos - de pessoas e lugares a uma dor de dente - de fora do cérebro em direção a seu interior, e também quando reconstruímos objetos a partir da memória, de dentro para fora, por assim dizer. A tarefa de produzir imagens nunca cessa enquanto estamos acordados e continua até mesmo durante parte do nosso sono, quando sonhamos".
© Leonel Kaz (Olho da Rua: O Brasil nas fotos de José Medeiros)

Foto: © José Medeiros

terça-feira, 15 de julho de 2008

Hippolyte Bayard

"Hippolyte Bayard (1801-1887) deu início às pesquisas, e com sucesso, nos primeiros meses de 1839, sem dúvida alertado pelas novidades do daguerreótipo, Bayard deve ser reconhecido como um destes inventores divergentes da fotografia. Porque, desconhecendo o que já havia realizado, ele faz proposições pessoais que serão menosprezadas por Arago e Biot, a quem ele as havia mostrado. Se podemos compreender que estes dois estavam muito mais interessados pelos resultados do daguerreótipo, nem por isso os positivos diretos de Bayard são uma via destinada a ficar "sem futuro". As imagens têm a particularidade de ser obtidas sem intermediário, diretamente na câmara escura, a partir de um papel de sais de prata previamente escurecido que vai clarear nas zonas que receberem a luz. Essa idéia reaparece na Polaroid e ela talvez só tenha sido deixada de lado por negligência. Em 1840, Bayard desiludido, abandona ele próprio sua idéia, para se dedicar aos processos de Daguerre e de Talbot." © Michel Frizot
Foto: © Hippolyte Bayard

segunda-feira, 14 de julho de 2008

O verdadeiro primitivismo

"Poucas pessoas nesta sociedade compartilham o pavor primitivo das câmeras que decorre de pensar a foto como uma parte material delas mesmas. Mas algum vestígio de magia perdura: por exemplo, nossa relutância a rasgar ou jogar fora a foto de uma pessoa amada, sobretudo quando morta ou distante. (...) Mas o verdadeiro primitivismo moderno consiste em ver a imagem como uma coisa real; imagens fotográficas dificilmente são tão reais assim. Em vez disso, a realidade passou cada vez mais a se parecer com aquilo que as câmeras nos mostram. É comum, agora, que as pessoas, ao se referirem a sua experiência de um fato violento em que se viram envolvidas - insistam em dizer que "parecia um filme". Isso é dito a fim de explicar como foi real, pois outras qualificações se mostram insuficientes. Enquanto muitas pessoas, em países não industrializados, ainda se sentem apreensivas ao ser fotografadas, suspeitando algum tipo de transgressão, um ato de desrespeito, as pessoas de países industrializados procuram ser fotografadas - sentem que são imagens e que as fotos as tornam reais."
© Susan Sontag

Foto: © Elliott Erwitt

sexta-feira, 11 de julho de 2008

Fotojornalismo (20)

Em 1968, os dirigentes da Tchecolosváquia, liderados pelo liberal Dubcek, dão início a uma reforma do socialismo. O movimento é encorajado por intelectuais, estudantes e trabalhadores, que se mobilizam. O partido comunista aceita a criação de outros partidos, abole a censura de imprensa, assegura o direito de viajar para o exterior, reabilita e indeniza as vítimas do stalinismo. Tantas reformas inquietam Moscou, pois ameaçavam se alastrar por outras democracias populares. Em 21 de agosto de 1968, as tropas do Pacto de Varsóvia invadem a Tchecolosváquia e prendem Dubcek, pondo fim às reformas. O fotógrafo Josef Koudelka estava lá:
- " Praga, em 1968, foi sem dúvida uma tragédia, mas tive a felicidade de ser testemunha do que ocorreu. Eu não pensava que pudesse haver tamanha solidariedade entre as pessoas. Era um verdadeiro milagre! A oposição aos tanques soviéticos era unânime: comunistas, intelectuais, jovens, velhos, todos estavam juntos. Mesmo os ladrões diziam que não roubariam mais, porque a polícia tinha mais o que fazer! Nunca mais vivi momentos tão intensos." © Eric Godeau
Foto: © Josef Koudelka

quinta-feira, 10 de julho de 2008

Edgar Moura


Edgar Moura trabalhou como fotógrafo para o jornal Última Hora, em 1968. Graduado, em 1972, com especialização no campo da Imagem pelo INSAS (Institut National Superieur des Arts du Spectacle) de Bruxelas, Belgica e pela ENQ (Escola Nacional de Química) da Universidade Federal, em 1969. Na década de 70, lecionou na UFF (Universidade Ferderal Fluminense) e no INC (Instituto Nacional do Cinema) de Maputo, Moçambique. Atuou como fotógrafo free-lance para a agência Gamma (Paris). Edgar Moura tem os seguintes livros publicados: Câmera na Mão (1985), 50 Anos Luz (2005), Coleção Senac de Fotografia nº 13 (2007) e Da Cor (2008). Como Diretor de Fotografia, Edgar Moura tem no currículo mais de 40 longas além dos filmes para televisão, publicidade e de projetos no exterior com direção de Frédéric Auburtin, em Paris e de Hector Babenco, em los Angeles. Para Edgar : "qualquer julgamento sobre uma obra de arte se baseia neste único dado: quanto trabalho isto deu? Anos de estudo, dedicação e tempo investido transparecem na "obra". Suspenda-se todo julgamento que não tiver consciência disto, que não levar isso em consideração. Arte é trabalho. É o trabalho que deu. Fotografia só é arte com exotismo, dificuldade e trabalho.
Se não, não."
Fotos: Cortesia © Edgar Moura

Uma boa foto

A análise de uma fotografia é feita a partir de vários elementos: o nível contextual, os parâmetros técnicos. O nível morfológico, seus elementos, contraste, iluminação, planos etc. Depois ou antes de tudo a interpretação da imagem. E é aí que frequentemente acontece a confusão entre percepção e interpretação. De fato reconhecer este ou aquele motivo nem por isso significa que se esteja compreendendo a mensagem da imagem na qual o motivo pode ter uma significação bem particular, vinculada tanto a seu contexto interno quanto ao seu surgimento. A fotografia que o Edgar Moura tirou do Lula, em 1979, faz parte de um conjunto de imagens tiradas com milisegundos de diferença entre um clique e outro, durante um comício no ABC. No peito do Lula, está escrito na camiseta: "Hoje eu não tou bom!" Para Bertold Brecht " uma câmera pode mentir tanto quanto uma máquina de escrever". A foto do Lula acabou ficando fora do livro Coleção Senac de Fotografia nº 13. 
Foto: Cortesia Edgar Moura

quarta-feira, 9 de julho de 2008

A câmera "Mamute"

Uma das primeiras câmeras gigantescas foi construída em 1858 por C. Thurston Thompson, um fotógrafo inglês que se especializou na reprodução de obras de arte: sua câmera media 3,6 m de comprimento, produzia fotografias de aproximadamente um metro quadrado. Mas a maior de todas as câmeras fotográficas foi construída nos Estados Unidos por volta de 1900. Denominada "Mamute", foi criada por funcionários da Companhia de Estrada de Ferro de Chicago e Alton, com o propósito de produzir uma única foto, detalhada, de um trem de luxo. A câmera "Mamute" pesava 635 quilos quando carregada com sua placa de vidro de 225 quilos, exigia uma equipe de quinze homens para sua operação. A revelação e obtenção da cópia medindo 1,4 x 2,4 m necessitavam de 45 litros de soluções químicas. A fotografia do trem participou da Exposição de Paris em 1900, que recebeu o Grande Prêmio Mundial.

sábado, 5 de julho de 2008

Documentos fotográficos



"Sempre - o Documento Humano mantém o presente e o futuro em contato com o passado", disse Lewis Hine. Porém aquilo que a fotografia fornece não é apenas um registro do passado, mas um modo novo de lidar com o presente, como atestam os efeitos dos incontáveis bilhões de documentos fotográficos contemporâneos. Enquanto fotos velhas preenchem nossa imagem mental do passado. As câmeras estabelecem uma relação inferencial com o presente (a realidade é conhecida por seus vestígios), proporcionam uma visão imediatamente retroativa da experiência. Fotos fornecem formas simuladas de posse: do passado, do presente e até do futuro."
© Susan Sontag

Fotos: 1- © Diane Arbus (1923 - 1971) - gêmeas Roselle, 1967
2- © Mary Ellen Mark (1940 -) - gêmeas Simmermon, 2001
3- © Vanessa Winship (1960 -) Prêmio Sony World Photography Awards, 2008

sexta-feira, 4 de julho de 2008

"Mais verdadeira que ao natural"

Nas fotografias de Diane Arbus (1923-1971), seus modelos são avisados e conscientes da ação à qual eram convidados a participar. "Contra a imagem capturada, Arbus joga a imagem convocada e construída. Contra a espontaneidade, a pose. É por meio da imagem "plástica" que querem dar de si mesmas e que a artista as leva a produzir que se revela a "verdade", a "autenticidade" das personagens de Arbus. Eis o deslocamento: a interiorização do realismo pela transcendência do próprio código. Esse tipo de posição teórica, sob formas muito variáveis, conheceu um número muito grande de defensores em todas as épocas e um pouco em todos os campos, sobretudo, é claro, entre os retratistas. De certo modo, é a própria aposta da pratica do retrato fotográfico basear-se nesse princípio de uma realidade ou de uma verdade interior revelada pela foto. Vamos encontrar propostas nesse sentido em quase todos os fotógrafos de retratos (e até em declarações dos modelos que contemplam sua imagem)." © Philippe Dubois
Foto: Diane Arbus

quarta-feira, 2 de julho de 2008

Claudio Edinger

Claudio Edinger, carioca, formado em Economia. Começou a fotografar na década de 70 e, em 1976, foi para Nova York, trabalhar como fotógrafo independente para diversas publicações e projetos de fotografia documental. Edinger foi professor da New School for Social Research. Seus ensaios fotográficos foram publicados nos livros: Chelsea Hotel (1983), Venice Beach (1985) e The Making of the Film Ironweed (1988). Recebeu os Prêmios Leica Medal of Excellence em 1983 e 1985, e em 1990, o Ernst Haas Award. Em 1996, Edinger retornou ao Brasil. No livro Imagens da Fotografia Brasileira, de Simonetta Persichetti, Claudio Edinger responde sobre o que entende por transcendência: - " Existe uma corrente recente de filosofia que está se dando conta de que o homem, além das suas necessidades básicas, tem a necessidade de se transcender, ou seja, ir além do que ele é no dia-a-dia, isto é, sair do seu estereótipo. Eu não sou só o que a sociedade determina que eu seja. O homem é muito mais complexo do que a aparência. A sua potência é muito maior do que ele pensa. Todos somos muito mais do que mostramos."
Foto: © Claudio Edinger (www.claudioedinger.com)

terça-feira, 1 de julho de 2008

O surrealismo

O primeiro manifesto surrealista foi publicado em 1924. Seu autor, André Breton, escritor e poeta, acompanhado de outros poetas, Louis Aragon e Paul Éluard. Desde o início, o surrealismo era um movimento heterogêneo. Incluía escritores, pintores e fotógrafos; mais tarde, no final dos anos 20, diversificou-se na produção de objetos e filmes. A produção surrealista pode ser considerada um campo de representação em constante mudança, que usa a diferença para gerar significados. Uma das maneiras como a diferença se expressava no surrealismo era pela metáfora do "feminino". As mulheres estavam mais próximas daquele "lugar da loucura", do inconsciente, do que os homens, e é através de uma construção particular da "mulher", da fantasia, que o surrealismo foi definido. Simbolicamente, o surrealismo coloca a "mulher" em seu centro, como foco dos seus sonhos. Isso explica o interesse dos surrealistas por Sigmund Freud e Karl Marx, para criticar a ordem social existente e a cultura dominante, vista por eles como repressiva. Um momento histórico de conjunção crítica do psíquico e do social. © Briony Fer
Foto: © Man Ray (1890-1976)