quinta-feira, 27 de novembro de 2008

Galeria: Hiroshi Sugimoto



Fotos: © Hiroshi Sugimoto (www.sugimotohiroshi.com)

Roger Ballen

Roger Ballen nasceu na cidade de Nova York, em 1950. Chegou à África do Sul em 1974, depois de passar dois anos viajando de carona. Seu primeiro ensaio fotográfico foi dedicado à paisagem e a arquitetura. Ao longo dos anos passou a fotografar os habitantes dos vilarejos, a maioria descendente de colonos holandeses e ingleses. Roger Ballen desenvolveu uma estética própria em contato direto com o ambiente, carregada de simbolismos a partir de imagens encenadas. Segundo Ballen: "Um lugar que todos pudessem identificar, mas incapazes de localizar". A fotografia reproduzida faz parte do livro Outland, publicado em 2001, sua produção teve início nos anos de 1990, retratando uma nova geração de sul africanos brancos, à margem da sociedade, sem os privilégios do apartheid.
Foto: © Roger Ballen (http://www.rogerballen.com/ )

quarta-feira, 26 de novembro de 2008

Arno Fischer



Arno Fischer começou a fotografar na década de 1950, quando a antiga República Democrática Alemã era o reflexo de uma sociedade dividida, em meio às ruínas no período do pós-guerra. Não interessava a Fischer documentar a destruição de Berlim, o foco eram as estruturas sociais, nos gestos do cotidiano, tendo como influência o trabalho de Robert Frank, especialmente as fotografias do livro The Americans, de 1958. Trabalhou para as revistas, Sybille, Freie Welt e Das Magazin e, em 1967, foi membro do grupo Direkt. Na revista de moda e cultura Sybille, Fischer e os fotógrafos Guenter Rössler, Karol Kállay e Roger Melis, criaram fotos com modelos em atitudes espontâneas, raramente em estúdio, para definir o novo perfil da mulher socialista na Alemanha. Fischer tem cinco livros publicados: imagens de Berlim, Nova York e The Garden, fotografias feitas com uma Polaroid SX-70. Em 2000, Arno Fischer recebeu o Prêmio Erich Salomon da Sociedade Alemã de Fotografia.
Fotos: © Arno Fischer (http://www.arnofischer.com/)

Coleção Joaquim Paiva

Joaquim Paiva começou a colecionar fotografia brasileira contemporânea a partir de 1981. Motivado pela qualidade e pluralidade dos trabalhos, para além do fotojornalismo. Entre os primeiros fotógrafos que deram forma à Coleção encontram-se Miguel Rio Branco, Mario Cravo Neto e Sebastião Salgado. A Coleção cresceu e compreende hoje mais de 1800 imagens de 150 fotógrafos brasileiros. Para Joaquim Paiva, o livro On Photography, de Susan Sontag, proporcionou uma base teórica e conceitual e influenciou a sua visão de mundo através da fotografia. "Que todos os diversos tipos de fotografia formam uma tradição contínua e interdependente é a suposição... que está na origem do bom gosto fotográfico"; "Para ser verdadeira como arte a fotografia deve cultivar a noção do fotográfico como autor e de todas as fotografias tomadas pelo mesmo fotógrafo como constituindo um conjunto". (Susan Sontag).
Fotos: Coleção Joaquim Paiva: © Mario Cravo Neto, © Marcelo Buainain, © Pierre Verger e © Claudia Andujar

segunda-feira, 24 de novembro de 2008

Fotografias de David Lynch

O americano David Lynch, cineasta, pintor, músico e também fotógrafo, produziu este ano um ensaio utilizando uma Hasselblad H3D-11. Em exposição, 39 fotografias, muitas em preto e branco, com uma edição de apenas 6 cópias de cada foto para garantir a qualidade final da impressão. Lynch explora as fronteiras do meio fotográfico, em close-up e em movimento, de nus femininos com fendas e buracos negros sobrepostos. As imagens são abstratas e sua interpretação, segundo David Lynch, é individual: "É uma bela idéia de que cada espectador crie uma imagem, alguns vêem bem próximo das minhas próprias interpretações, mas às vezes estão à milhas de distância." Os filmes, bem como as fotografias de David Lynch frustram uma simples interpretação. Ele já expressou com espanto o fato das pessoas terem um ótimo senso de pesquisa de sua arte - "apesar da vida não ter sentido."
Vídeo da exposição aqui.
Foto: © David Lynch

O pano de fundo

O retrato fotográfico corresponde a uma fase particular da evolução das chamadas camadas sociais. O pano de fundo desempenhava, no princípio, um papel especial, fornecia um elemento de prestígio e de ilusão. Estabelecia, de propósito, o contraste da fotografia com a realidade do dia-a-dia. O retrato produzido como objeto de recordação, hoje é um material para estudo do comportamento social e iconográfico. Seria possível escrever uma história do retrato baseada no desenvolvimento do pano de fundo, que se afasta cada vez mais do efeito de estúdio para aproximar-se do ambiente real, tornando-se parte integrante da pessoa retratada e chegando ao ponto em que o próprio ambiente passa a caracterizar a figura representada.
Foto: © Dorothea Lange (Oklahoma, 1936)

quarta-feira, 19 de novembro de 2008

Signos de Walker Evans

"Literalmente apenas uma fachada com cartazes colados. Parece um tapume erguido no meio do mato, um outdoor, sem nada atrás. São eles que determinam a identidade e a localização dos lugares. Os signos pontuam estas paisagens vazias, mapeando o trajeto de quem passa pela estrada. Os letreiros são um dos motivos centrais nas fotografias de Walker Evans, talvez o primeiro fotógrafo a realizar um levantamento destes verdadeiros monumentos da paisagem americana. As placas de trânsito, os outdoors, os cartazes constituem, literalmente, suas imagens. Pois, para Evans, são os sinais, com suas figuras e palavras, o que dá sentido aos lugares e permite ler os tipos e as cenas da vida americana. No final de sua vida, Evans passou a colecionar obsessivamente placas e cartazes, tomando-as diretamente dos muros, sem sequer se dar ao trabalho de fotografá-los. Antigas setas de metal já enferrujado e cartazes amarelados e rasgados. Como se, ao se acelerarem as transformações no mundo moderno, fazendo desaparecer tudo aquilo que é tradicional, a fotografia não bastasse mais para assegurar o sentido das coisas. O fotógrafo então se converte em colecionador, substituindo a imagem pelo próprio signo."
© Nelson Brissac Peixoto (America: imagens, 1989)
Foto: © Walker Evans (1903-1975)

terça-feira, 18 de novembro de 2008

O cartaz fotográfico

Criado inicialmente como arte, o cartaz, imerso em ambiente urbano e social, evoluiu como ciência de convencer, de argumentar, de seduzir. Sua origem teve como base a ilustração e o uso da fotografia em sua composição se impôs no momento em que vários meios de comunicação - a publicidade e a propaganda política atribuíram o diálogo entre imagem e texto. As figuras de retórica no cartaz fotográfico constituem discursos e estratégias persuasivas destinadas a captar a atenção do espectador e modificar suas emoções prévias. A retórica, considerada a arte da persuasão, tem no campo visual um de seus lugares de implantação e, seu mecanismo de percepção determina sua forma e leitura imediata. "O cartaz combina os gêneros, a arte visual escrita e a arte tipográfica: é o lugar onde se fundem os dois, onde a tipografia se torna imagem letrista, onde as letras abandonam sua rigidez categorial, onde os elementos da imagem adquirem valor simbólico e, portanto, linguístico."
(Abraham Moles).
Cartazes: Für das Alter - Foto: © Werner Bischof - Designer: ©.Carlo Vivarelli, 1949
50 ans Cinémathèque Suisse, Lausanne - Foto: © Eugene Robert Richee (Marlene Dietrich) - Designer: © Werner Jeker, 1998

Ezra Stoller


Ezra Stoller (1915-2004) era frenquentemente solicitado por arquitetos famosos para fotografar suas obras. Formado em arquitetura, fundou da década de 1960 a agência Esto Photographics, responsável por documentar grande parte dos ícones da arquitetura moderna como, por exemplo, o Salk Institute, de Louis Khan, em San Diego ou o terminal TWA, de Eero Saarinen, em Nova York. Usando uma câmera de grande formato e principalmente em preto e branco, Stoller levava horas observando o movimento da luz sobre a superfície de um prédio antes de fotografá-lo. Alain de Botton (A arquitetura da felicidade, 2006), no capítulo Construções que falam, aborda o potencial expressivo de objetos e construções: “Um aspecto mais perturbador das associações está na sua natureza arbitrária, no modo como elas podem nos levar a emitir um veredicto sobre objetos ou prédios por razões que nada têm a ver com suas virtudes ou defeitos arquitetônicos. Talvez façamos um julgamento com base no que eles simbolizam e não naquilo que eles são." Ezra Stoller fotografou os pontos fortes da arquitetura moderna: simplicidade, proporção e equilíbrio.
Fotos: © Ezra Stoller

sábado, 15 de novembro de 2008

Galeria: Harry Callahan



Fotos: © Harry Callahan (1912 - 1999)

quinta-feira, 13 de novembro de 2008

Documentos criativos da realidade

A história da fotografia é repleta de tentativas de especificar mais precisamente as técnicas de sua evolução, enquanto expressão artística ou como documentos criativos da realidade social e cultural. Na segunda metade do século XIX, os pictorialistas, como eram denominados os fotógrafos que buscavam uma aproximação no universo das artes. A fotografia era, deste modo, a realidade segundo o ponto de vista das pinturas de cenas bucólicas e naturezas mortas, a inspiração para fotografias igualmente sentimentais. Reagindo aos excessos do pictorialismo, fotógrafos reivindicaram, a partir de novas técnicas e procedimentos de laboratório, o conhecimento a respeito do que viam. "Tirar fotos foi interpretado de duas maneiras completamente distintas: como um ato de conhecimento lúcido e preciso, de inteligência consciente, ou como um modo de confronto pré-intelectual e intuitivo." (Susan Sontag, Sobre fotografia). No século XX, toda essa argumentação foi retomada através de estudos com base em teorias da percepção das imagens.
Foto: © Richard Avedon (Sicília, Itália, 1947)

Annie Leibovitz

Os seus primeiros modelos entre os fotógrafos conhecidos foram Henri Cartier-Bresson e Jacques-Henri Lartigue. Em 1970, Annie Leibovitz iniciou os estudos de belas artes e fotografia no San Francisco Institute. Nesse mesmo ano, enviou seu portfolio ao diretor de arte da revista Rolling Stone, Robert Ingsburry, onde conseguiu seu primeiro trabalho de capa com o retrato de John Lennon. Em 1973, Leibovitz tornou-se fotógrafa principal dessa revista até mudar para a Vanity Fair, em 1983. Atualmente, Annie Leibovitz é considerada a fotógrafa americana das personalidades da música, do cinema, das artes e da política."Quando digo que quero tirar uma fotografia a alguém, quer dizer que desejo realmente conhecer essa pessoa."
Foto: © Annie Leibovitz ( Merce Cunningham, coreógrafo, 1994)

terça-feira, 11 de novembro de 2008

Carta aos estudantes de fotografia





















Em 1907, Paul Strand (1890-1976), com 17 anos de idade, conheceu dois dos mestres da fotografia americana, Alfred Stieglitz (1864-1946)e Lewis Hine (1874-1940). Oito anos mais tarde, Paul Strand entrou no estúdio de Stieglitz com uma pasta abarrotada de fotografias de pessoas nas ruas de Nova York. No período entre as duas Guerras Mundiais, os fotógrafos americanos realizaram estudos através de formas e elementos arquitetônicos, inspirados nas imagens de Stieglitz, no construtivismo russo e na nova visão gráfica desenvolvida na Alemanha, pelo grupo Bauhaus. Em 1923, Paul Strand escreve a Carta aos estudantes de fotografia: (...). Se o que realmente perseguem é uma pintura ou outra coisa, então não fotografem, exceto como pura diversão. Fotografia não é um atalho para chegar à pintura, para se tornar um artista ou para qualquer outra coisa. Alguns têm dito que Stieglitz tem força porque hipnotiza os seus modelos. Quando vi o que ele fez com suas nuvens, descobri que seus poderes hipnóticos também se estendem a esses elementos.(...) Para conseguir isto, não existem atalhos, nem fórmulas, nem regras; unicamente em todo caso as que regem a vida de cada um. No entanto, é necessário a mais rigorosa autocrítica e um trabalho constante. Mas primeiro aprender a fotografar. Para mim isto já constitui um problema sem fim."
Foto:Paul Strand (carta na íntegra, em espanhol, http://www.luzdia.com/maestros/paul_strand.htm)

Bruno Boudjelal


Bruno Boudjelal, franco-argelino, produziu ensaios sobre os caminhos da imigração turca na França. Sua primeira viagem ao país foi em 1993, quando seu pai resolveu regressar à Argélia. Para Boudjelal foi mais do que uma jornada fotográfica, ele iria descobrir suas origens e traçar um panorama sobre a comunidade turca e sua diversidade geográfica. As fotografias mostram também, o confronto dos argelinos, suas tradições e a busca por uma modernidade cultural. Em 1996, as imagens foram publicadas no livro Gurbet: turcs d'ici, que Boudjelal considera um trabalho difícil e doloroso de reconstrução de sua identidade. Nas sucessivas viagens à Argélia passou a fotografar em cores e diante de um cenário de violência, adotou a técnica de disparar a câmera sem olhar no visor, que ele descreve como um ato "instintivo", mas não menos carregado de muita emoção. Atualmente, Bruno Boudjelal, membro da agência VU, realiza projetos fotográficos em diversas cidades africanas.

domingo, 9 de novembro de 2008

Fotografia: o bordel sem paredes

"Numa cultura como a nossa, há muito acostumada a dividir e estilhaçar todas as coisas como meio de controlá-las, não deixa às vezes, de ser um tanto chocante, lembrar que, para efeitos práticos e operacionais, o meio é a mensagem. (...) Ninguém pode desfrutar uma fotografia solitariamente. Ao ler e escrever, pode-se ter a ilusão de isolamento, mas a fotografia não favorece tal disposição. A consciência do poder de transformação da fotografia muitas vezes transparece nas estórias populares, como a da mulher que exclamou: "Mas que amor de criança!" - para ouvir da mãe a seguinte resposta: "A senhora tinha de ver uma fotografia dela." Muita gente estaria inclinada a dizer que não era a máquina, mas o que se fez com ela, que constitui de fato o seu significado ou mensagem. (...) Isto apenas significa que as consequências sociais e pessoais de qualquer meio - ou seja, de qualquer uma das extensões de nós mesmos - constituem o resultado do novo estalão introduzido em nossas vidas por uma nova tecnologia (...)."
© Marshall McLuhan
(Os meios de comunicação como extensões do homem, 1997)
Foto: © Abelardo Morell

sábado, 8 de novembro de 2008

A imagem da cidade

"Não sou arquiteto nem urbanista. Se há alguma coisa que me autorize a lhes falar e me qualifique a fazê-lo será o fato de que, além de cineasta, sou um viajante que viu muitos lugares, que viveu e trabalhou em diferentes cidades do mundo (...). Durante muito tempo, a realidade só pôde ser representada pela pintura. Cada imagem era única. Depois, com a invenção da imprensa, as imagens puderam ser reproduzidas e postas em circulação. No século XIX, este desenvolvimento deu um grande salto. Com a invenção da fotografia surgiu uma relação inteiramente nova entre a realidade e sua representação, começou a existir uma "realidade de segunda mão". O passo seguinte não tardou a vir: as imagens fotográficas aprenderam a andar. Pela primeira vez alguém podia ficar na cidade e ver o mundo no cinema da esquina. (...). Se mostrar foi noutra época a missão primeira, a missão mais nobre das imagens, o seu fim parece ser cada vez mais vender. No mundo inteiro corre-se o perigo de se produzir imagens como se este fosse um fim em si mesmo. Graças a certas falhas, me dei conta de que "uma bela imagem" não representa um valor em si. Pelo contrário: uma bela imagem pode destruir o fluxo, o caráter e o funcionamento do todo, a estrutura dramática. As cidades não contam mais histórias, mas podem contar algo sobre A História. As cidades podem trazer em si sua história, e mostrá-la, podem torná-la visível ou ocultá-la. Elas podem esvaziar ou alimentar sua imaginação."
© Win Wenders (La Verité des Images, 1992)
Foto: © Win Wenders (Houston, Texas, 1983)

quarta-feira, 5 de novembro de 2008

Builder Levy



"A imagem fotográfica possui uma eficácia documental comprovada e essa constatação veio acelerar simultâneamente os processos paralelos de censura e de propaganda política através da fotografia. Interessante notar que, tanto no caso da censura como no de propaganda política, não é negado o poder de convencimento do realismo fotográfico, ao contrário, é exatamente nele que ambas as coisas se apóiam. Na censura, a fotografia é proibida para não mostrar uma realidade incômoda. Na propaganda política, ela é deliberadamente exposta para mostrar uma realidade desejada." (Jeziel de Paula, Imagem & Magia). A primeira fotografia de Builder Levy, feita em 1964, é o registro de uma manifestação contra a segregação racial nas escolas norte-americanas. Ao longo da década de 1960, sob a ótica da memória, Levy documentou as manifestações em apoio dos direitos civis e contra a Guerra do Vietnã. E em 2000, voltou a fotografar os protestos políticos nas ruas de Nova York. "Na história da fotografia há um longo continuum de profissionais fazendo esse tipo de trabalho. Eu queria ser uma parte desse continuum".
Fotos: © Builder Levy (http://www.builderlevy.com/ )