

Formado pela Pennsylvania State University com licenciatura em Biologia e ex-baterista em uma banda de punk-blues, J. Carrier iniciou sua carreira fotográfica ao participar como voluntário da Peace Corps, organização governamental em missão no Equador. Em seu portfolio fotos de várias regiões do Sudão, Etiópia e Indonésia, publicadas em Washington Post e The New York Times. Sua fotografia "Darfur, Paradise Lost", publicada pela National Geographic no livro Visions of Paradise, ganhou menção honrosa no New York Photo Awards 2009. As fotografias reproduzidas fazem parte da reportagem sobre a igreja Evangélica no Quênia. Um país pobre e dividido, não apenas pela situação política e econômica imediata, mas por suas consequências religiosas ao longo de sua história. Os seguidores do Centro Evangélico Neno, em Nairobi, esvaziam seus bolsos com a fé que promete resgatar suas almas. J. Carrier é fotógrafo independente sediado em Jerusalém. Fotos: © J. Carrier (http://www.j-carrier.com/)
"Todavía hoy en día, hay quienes creen que el fotógrafo se apropria del alma de las cosas y por lo tanto se resisten el hurto de la imagen que - aunque momentáneo - quedará perpetrado en un papel. Pero también suele suceder lo contrario: el fotógrafo es capaz de devolver el alma a lo que retrata, así se trate de un pájaro muerto." Manuel Álvarez Bravo(Mucho Sol, Teresa Del Conde, Fondo de Cultura Económica, México, 1989)Foto: © Manuel Álvarez Bravo (Los obstáculos, 1927-29)
O fotógrafo e historiador de fotografia, Pedro Karp Vasquez, em artigo publicado na revista Piracema (1993), descreve os registros de A. Frisch e da importância dada por ele à fotografia, com um trabalho de antecipação antropológica. Pouco se sabe a respeito desse fotógrafo de origem alemã, o mais provável é que Frisch tenha integrado uma das múltiplas expedições científicas estrangeiras que desbravaram a Região Amazônica em torno de 1865. Vasquez cita as dificuldades técnicas enfrentadas por Frisch, destacando as limitações do processo de colódio úmido, que o obrigaram a improvisar um estúdio num barco para poder preparar as chapas que deveriam ser emulsionadas momentos antes de utilizadas. "É interessante assinalar que as fotografias mostrando os índios antropófagos Amaúmas são em realidade compostas de dois negativos cada: um retrato e a paisagem usada como fundo. Não se trata aqui, no entanto, de uma montagem ou superposição arbitrária do fotógrafo, mas de uma tentativa de remediar as deficiências técnicas do equipamento, que impedia uma exposição simultaneamente correta para o primeiro plano, o índio, e o segundo, a vegetação. São as mais antigas fotografias dos índios brasileiros, embora as primeiras fotos tenham sido realizadas por Charles De Forrest Fredricks no início dos anos 1850. Contudo, seu trabalho foi perdido quando ele foi saqueado e abandonado em plena selva por seus guias. Fredricks conseguiu salvar-se, mas seus preciosos daguerreótipos desapareceram nas águas turvas de algum igarapé sem nome."Foto: A. Frisch (Índio Amaúma, Amazonas, c.1865)

Quando chegou a Los Angeles em 1956, vindo da cidade de Oklahoma, Ed (Edward) Ruscha inscreveu-se no Chouinard Art Institute, uma escola de renome de onde haviam saído muitos artistas e teve Billy Al Bengston como professor. Ruscha é o único artista Pop que utilizou a fotografia sem a alterar, e sob a forma mais adaptada a este meio: o livro ilustrado. Ao passar várias vezes ao longo da autoestrada Route 66, Ed Ruscha tirou fotografias de todos os postos de gasolina e em 1963 publicou-as em seu primeiro livro Twentysix Gasoline Stations, numa edição limitada de 400 exemplares. Em 1965, usando o pseudônimo Eddie Russia, trabalhou como artista gráfico para a revista Artforum e em vários projetos tipográficos, base de sua estética e temática. Usando os processos mais simples, Ruscha condensa o clichê visual do ambiente do dia-a-dia, suas fotografias são registros técnicos e fontes de informação: letreiros, palmeiras, casas, piscinas, parques de estacionamento, imagens estereotipadas de Los Angeles. A revista Life, em um editorial intitulado "Suprimir o vandalismo", equiparou os outdoors e os postos de gasolina à mineração descontrolada que destruiu uma parte do país. A "poluição visual" parece inspirar alguns editorialistas e muitos fotógrafos. Fotos: © Ed Ruscha (Reprodução do livro Every Building on the Sunset Strip, 1966)
A respeito de uma fotografia: a presença de um elemento da natureza, que provocada pelo instantâneo, fez desaparecer o tempo. A propósito de um agradecimento: a fotografia também torna-se um substituto da escrita, não mais dizer, apenas mostrar. Foto: © Moizes Vasconcellos(www.flickr.com/photos/moizesvasconcellos)
Embora fosse fascinado pela cultura cigana, a vida nômade e seus costumes instigavam a imaginação do fotógrafo Irving Penn. A oportunidade de conhecê-los de perto aconteceu em 1965. A publicação de um ensaio, a convite da Condessa de Romanones, editora da Vogue em Espanha, com os ciganos acampados na província de Extremadura. Antes de viajar para a Espanha, Penn estudou o tema através do livro Zincale, gypsies of Spain, de George Barrow. O primeiro contato com os ciganos foi bem difícil, exigentes e desconfiados, Penn não ficou satisfeito com o resultado das fotografias. Na esperança de enriquecer os retratos, Penn havia alugado o celeiro de um fazendeiro vizinho, para criar uma atmosfera de estúdio. No dia previsto para as fotos, Penn notou que todos os animais domésticos desapareceram de vista, o fazendeiro tinha escondido as cabras, as galinhas e, até mesmo a vaca dentro de casa. O ensaio, então, foi transferido para o acampamento dos ciganos. Pela primeira vez, num estúdio improvisado a beira de um riacho, a chance de conhecer melhor um ao outro.Foto: © Irving Penn (Worlds in a Small Room)

Katharina Hesse é graduada em chinês pelo Institut National des Langues et Civilizations Orientales (INALCO), em Paris. Hesse vive na China há mais de 13 anos. Suas fotografias refletem o caráter dessa sociedade unificada pela negação da realidade. O descaso dos "peticionários", aldeões que necessitam de auxílio jurídico e enfrentam obstáculos por parte das autoridades chinesas. O medo e a fome dos norte-coreanos que procuram abrigo nos países do Sudeste Asiático, principalmente no Camboja e no Laos. Eles fogem da Coreia do Norte através da fronteira com a China. A Comissão de Direitos Humanos das Nações Unidas pediu à China que interrompa a repatriação de foragidos norte-coreanos e que os reconheça como refugiados. A política de Pequim consiste em um acordo com Pyongyang para repatriar todos os norte-coreanos os quais denomina de "imigrantes econômicos". A Anistia Internacional, cobrou uma "postura de princípios" do Brasil, queixando-se que o país evitou, em votações na ONU, criticar ou bater de frente com violadores sistemáticos de direitos humanos, como a Coréia do Norte. " - O Brasil alega solidariedade, mas essa solidariedade acaba sendo com governos que cometem abusos contra os direitos humanos, e não com as vítimas desses abusos", afirmou Julie de Rivero, diretora da Human Rights Watch (O Globo, 16 de junho).Fotos: © Katharina Hesse (http://www.katharinahesse.com/)


O fotógrafo argentino Daniel Cima trabalhou durante 18 anos para o Alto Comissariado da Federação Internacional da Cruz Vermelha. Através de extensas viagens, Cima teve a oportunidade de conhecer e fotografar diversas etnias e documentar as condições sociais e ambientais em países como o Quénia, Índia, Bangladesh, Indonésia, Chade, Etiópia, Gâmbia, Rússia, Haiti e muitos outros. Suas fotografias são publicadas em The Washington Performing Arts Society, Bureau of National Affairs (BNA) e agência noticiosa EFE. Fotógrafo independente, Daniel Cima é membro fundador da Metro Collective, agência com sede em Washington, DC. National Children Center (NCC), The Kennedy Center e UNICEF são alguns de seus clientes.Fotos: © Daniel Cima (http://www.danielcima.com/) (http://www.metrocollective.com/)
Segundo Robert Doisneau, fotografar os parisienses sempre foi o tema mais fascinante do seu trabalho. Doisneau gostava de passear pelas ruas e de frequentar o Café Chez Fraysse, situado à Rua de Seine. Em 1958, um casal chamou-lhe a atenção. Uma mulher muito bonita com olhar fixo no copo de vinho, observada por um senhor com expressão maliciosa. Doisneau pediu e obteve permissão para fotografá-los. A fotografia foi publicada na revista Le Point, numa matéria dedicada aos bares de Paris. Todas as fotos de Doisneau ficavam aos cuidados de uma agência. Assim, logo depois, a fotografia apareceu no modesto periódico, editado pela Liga Nacional Contra o Alcoolismo para ilustrar um artigo sobre os males do álcool para o ser humano. O homem da foto, um professor de desenho, ficou aborrecido com o uso impróprio de sua imagem para ilustrar um bêbado. Doisneau lamentou, explicando que nada podia fazer para controlar a venda das fotos. A situação piora ainda mais quando a mesma fotografia, copiada diretamente da revista Le Point, é reproduzida numa revista sensacionalista, sem a autorização da agência ou do fotógrafo. Desta vez, o texto que acompanha a foto é sobre a prostituição na avenida Champs-Elysées. Resultado, a reação furiosa do professor de desenho em um processo contra a revista, a agência e Doisneau. O Tribunal condenou a revista a pagar um montante elevado por fraude. Também condenou a agência pela falta de critérios na divulgação da imagem. Robert Doisneau foi absolvido. O tribunal se limitou por considerá-lo "um artista irresponsável".Gisèle Freund (Photographie et Société, Éditions du Seuil, 1974)Foto: © Robert Doisneau (1912-1994)

O fotógrafo e jornalista pernanbucano Fred Jordão tem seus trabalhos expostos e publicados em galerias, jornais e revistas do Brasil e do exterior. Atuou como repórter fotográfico no Jornal do Commércio, Diario de Pernambuco e Veja 28 Graus. Em 1991, foi um dos criadores da agência Imago Fotografia, onde atuou por 17 anos. Participou da edição dos livros Projeto Lambe-Lambe, Pernambuco Preservado, PE – 5 Décadas de Arte, O Rio São Francisco – A Natureza e o Homem, Obituário da Arquitetura Pernambucana, Pernambuco Popular e Eu Vi o Mundo, publicado em 2006, um memorial fotográfico da cidade do Recife nas últimas duas décadas. Atualmente, desenvolve a pesquisa Acervos Iconográficos Públicos para a Pós- Graduação em Economia da Cultura. Seus ensaios funcionam como um comentário sobre as simples atividades do cotidiano. É a velocidade da luz que determina o real, é a fotografia de Fred Jordão que ilumina a realidade: de Sebastião dos periquitos e de Irmão Magro, infinitamente.Fotos: © Fred Jordão (Boa Viagem - A Praia) (http://www.fredjordao.com.br/)

O primeiro livro de fotografias de Richard Avedon (1923-2004), "Observations", foi publicado em 1959. Editado por Richard Grossman, com design de Alexey Brodovitch (1898-1971), lendário diretor de arte da Happer's Bazaar e texto do escritor Truman Capote (1924 - 1984). Numa abordagem cultivada reciprocamente por Avedon e Brodovitch, a clareza e a simplicidade na apresentação das fotografias, cercadas por um amplo espaço branco, para transmitir a emoção de cada imagem. Os retratos de Igor Stravinsky, Marian Anderson, Ezra Pound, Marilyn Monroe, entre outros, e o ensaio com fotografias feitas em Itália no final dos anos 1940, diagramadas numa sequência lógica e estabelecendo uma relação com a narrativa, através da aplicação de uma capitular em Bodoni para iniciar a primeira linha de texto de cada página, que se alinhava ao elemento principal da fotografia na página oposta, recurso tipográfico frequentemente usado por Brodovitch. Avedon fotografou imagens adicionais especialmente para o livro durante os últimos meses de preparação, incluindo o retrato de Jean Cocteau segurando uma arcada com dentes de touro e que lhe fora presenteada por Picasso. Em 21 de outubro de 1959, Jean Cocteau envia um telegrama à Avedon: “Merci terrible et merveilleux miroir” (Obrigado, terrível e maravilhoso espelho).
Fotos: © Richard Avedon (Zazi em Itália, 1946 e Pablo Picasso, 1958)
"A invenção da fotografia mudou muitas coisas. Não é o caso de inventariar agora todas elas. A mudança que me parece mais evidente e que, de algum modo, alterou nosso próprio modo de ver foi esta: a fotografia nos ensinou a ver o mundo recortado em quadros, o quadro circunscrito pela câmera, e não como um contínuo limitado apenas pelo horizonte. O olhar disperso torna-se um olhar concentrado no recorte. (...) Mas o enquadramento introduz outra mudança do olhar, além da restrição aos limites da moldura: o foco, ou ponto de vista, adquire uma importância maior do que a aprendida com a invenção da perspectiva na pintura. Mais uma vez, a perspectiva simula a continuidade do espaço pintado, enquanto o foco marca a sua descontinuidade. Tudo o que não cabe debaixo do olho dentro de um ponto de vista e dentro do enquadramento só existe por suposição. O cinema, que vai permitir o movimento do foco, apenas ampliará os limites do descontínuo, sem no entanto resolvê-lo." José Clemente Pozenato (Revista do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, nº 27, 1998). Foto: © Alex Majoli / Magnum Photos (Rio de Janeiro, 1995)

O fotógrafo israelense Michael Ackerman vem trabalhando desde 1990, quando deixou a universidade, em Nova York, para fotografar próximo às docas e night-clubs da cidade. Em 1996 conhece Margaret Bodell, empresária e galerista, que promove sua primeira exposição, "The Last Days of Times Square". Depois, Ackerman viaja várias vezes a Índia e por toda a Europa. Em 1999 começa a trabalhar com Christian Caujolle, fundador e diretor da agência e galeria francesa VU. Nessa mesma época, seu livro "End Time City", com fotografias feitas entre 1993 e 1997, em Benares, na Índia, é publicado pelo editor Robert Delpire e recebe o Prêmio Nadar de melhor álbum fotográfico do ano. Em 2001 foi publicado pela mesma Editora, o seu livro "Fiction". Suas fotografias feitas a partir de Krakow para Katowice, em Polônia (1999-2007), documentam as fronteiras que separam a União Européia e seus vizinhos do Leste, imagens que também dividem nossos olhares entre o real e o imaginário. Fotos: © Michael Ackerman (Agence VU)

Fotos: © Zdenek Podlesný e © Jovan Dezort
Havia a um canto da sala um álbum de fotografias[intoleráveis,alto de muitos metros e velho de infinitos minutos,em que todos se debruçavamna alegria de zombar dos mortos de sobrecasaca.Um verme principiou a roer as sobrecasacas indiferentese roeu as páginas, as dedicatórias e mesmo a poeira dos[retratos.Só não roeu o imortal soluço de vida que rebentavaque rebentava daquelas páginas.Carlos Drummond de Andrade(Sentimento do mundo, 1940)
Nos anos 1930, a Neue Sehen (Nova Visão), foi o primeiro movimento a considerar as séries fotográficas de estudo da natureza de Karl Blossfeldt (1865-1932), uma abordagem conceitual de expressão artística. A abstração e a geometria das formas interessaram diferentes, e quase incompatíveis movimentos artísticos, desde a Nova Objetividade ao Surrealismo. Na Faculdade de Artes e Ofícios de Berlim, Blossfeldt ensinava aos seus alunos a modelagem, com base nos elementos gráficos das plantas vivas, para construção de peças decorativas em ferro ou portas de armários torneadas. Paralelamente a esta atividade, o primeiro mobiliário funcional em tubos de aço estava sendo produzido na Bauhaus.(Blossfeldt, Hans Christian Adam, Taschen, 2001).
Foto: © Karl Blossfeldt (1915-1925)

Milton Guran é fotógrafo e Doutor em antropologia pela École des Hautes Études en Sciences Sociales (França). Foi professor da Universidade de Brasília e da Gama Filho antes de ingressar na Universidade Cândido Mendes, em 2001, para a qual coordenou os cursos de graduação em Ciências Sociais e Produção Cultural, além de criar o curso de pós-graduação: Fotografia como instrumento de Pesquisa nas Ciências Sociais. Em 2003, foi o idealizador e coordenador geral do FotoRio - Encontro Internacional de Fotografia do Rio de Janeiro. Autor dos livros, Encontro na Bahia (1979), Linguagem Fotográfica e Informação (1992) e Agudás: os brasileiros do Benin (1999). Pesquisador do Centro de Estudos Afro-asiáticos e membro associado do Laboratório de História Oral e Imagem da UFF. Milton Guran é um observador participante; com uma certa distância para desenvolver uma reflexão objetiva sobre os indivíduos ou grupos sociais, e de proximidade com seus sentimentos no exercício do olhar: "fotografar para descobrir, fotografar para aprender, fotografar para contar."Fotos: © Milton Guran (Coleção Pirelli / Masp de Fotografia: Yanomâni - Tootosi, Amazonas, 1991 e Matis, Amazonas, 1988)
"No museu em que Elliott Erwitt tirou esta fotografia, por exemplo, inúmeros visitantes viram ou teriam visto exatamente o que ele viu, não fosse pelo catálogo que lhes dizia terem diante de si interessantes obras de vários períodos dos pintores X, Y e Z, além das de dois mestres anônimos. Diante de uma contradição entre o que vê e o que interpreta, o indivíduo prefere não tomar conhecimento do que está enxergando. Nenhum mecanismo inventado até hoje registra os fatos visuais com a clareza da fotografia. A falha constante do sistema está em registrar os fatos errados: não aquilo que sabíamos estar presente, mas aquilo que aparentava estar presente. Há muito tempo que os teóricos reconhecem este calcanhar de Aquiles da fotografia, a qual se referem como "precisão fotográfica superficial" ou "naturalismo de superfície". (exposição Modos de Olhar: fotografias do MoMA - Museum of Modern Art, Nova York, 1999). Foto: © Elliott Erwitt (Veneza, 1965)

Nos seus primeiros tempos, a fotografia registrou locais lendários, anteriormente desconhecidos no resto do mundo. Assim, com muita velocidade, a fotografia de paisagem tornou-se um lugar "familiar", contemplativo e informativo. Essa dimensão fotográfica confere muitos significados e abrange a experiência particular do fotógrafo: "Cada paisagem é formada por um ponto de vista do observador, é uma experiência espiritual, o reflexo de uma cultura" (Robert Runcie, Magnum Landscape, Phaidon, 1996). A imagem da natureza, e, da mesma forma, a imagem urbana, em cada época exige sua própria construção, o reconhecimento visual entre o fotógrafo e seu ambiente - composto e decomposto pelas transformações da imaginação. Segundo Milton Santos (1926-2001), pensador e geógrafo brasileiro: “Tudo aquilo que nós vemos, o que nossa visão alcança, é a paisagem. Esta pode ser definida como o domínio do visível, aquilo que a vista abarca... a dimensão da paisagem é a dimensão da percepção, o que chega aos sentidos.” (Metamorfoses do espaço habitado, Hucitec,1988).Fotos: © Ansel Adams (Yosemite Valley, Califórnia, 1940) e© René Burri (Brasília, 1960)